Tragédia irlandesa sangra na Berlinale levando ação ao festival

Tragédia irlandesa sangra na Berlinale levando ação ao festival

Rodrigo Fonseca

16 de fevereiro de 2018 | 19h14

James Frecheville é o dissidente Feeney em “Black 47”, uma iguaria irlandesa

Rodrigo Fonseca
Era pro dia hoje, quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018, ser todinho de Wes Anderson e seu Ilha de Cachorros na arrancada da 68ª edição do Festival de Berlim, mas um épico à irlandesa com cheiro de Game of Thrones e litros de adrenalina roubou a cena e deu ao evento algo inusitado: um herói. Esta é a melhor forma de se definir Feeney, um ás na faca, na briga e no tiro que ajudou os ingleses em guerras passadas, mas viu seu povo, na Irlanda, ser traído pelos vizinhos de ilha, num momento de fome extrema em seu país. Vivido numa resfolegada interpretação pelo australiano James Frecheville (de (Reino Animal), este maltrapilho guerreiro faz de Black 47 uma iguaria violenta no menu da seleção oficial da Berlinale 2018, incluído sabe-se lá por que no pacote hors-concours de atrações. Tem Hugo Weaving em cena também, no papel de um agente da lei que, na Irlanda de 1847, precisa caçar Feeney e seus compatriotas, embora veja a causa deles com respeito. Embora lave a alma de quem goste de cenas de batalha, o longa-metragem dirigido por Lance Daily (de Paixão Obsessiva) flerta frontalmente com a estética piqueteira do inglês Ken Loach em Ventos da Liberdade (2006).

Nesta sexta, Berlim confere o desempenho de um dos atores mais perseverantes do showbiz na seara do western: Robert Pattinson brinca de ser um caubói romântico em Damsel, dos irmãos David e Nathan Zellner.

  

 

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