‘Todas as Mulheres do Mundo’ chega aos 50 anos

‘Todas as Mulheres do Mundo’ chega aos 50 anos

Rodrigo Fonseca

06 Julho 2016 | 11h49

Leila Diniz e Paulo José no sucesso de bilheteria de Domingos Oliveira

Leila Diniz e Paulo José no sucesso de bilheteria de Domingos Oliveira, finalizado em 1966

Comédia romântica nº1 do cinema brasileiro, Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos Oliveira, é agora uma senhora cinquentona. Lançado em 1966, o longa-metragem centrado na história de amor entre o jornalista e dramaturgo Paulo (Paulo José) e a professorinha Maria Alice (Leila Diniz) completa agora 50 anos, consolidado como um dos raros exemplares do gênero a unir sucesso popular e prestígio de crítica. Foi laureado com o troféu Candango de melhor filme, com outros quatro prêmios e mais uma menção honrosa para Leila no Festival de Brasília, antes de estrear. O projeto nasceu como um gesto de “volta pra mim” de Domingos para La Diniz, em reação ao fim do relacionamento entre eles. O pleito não deu certo, mas rendeu uma bela amizade e um filme inesquecível. Na entrevista a seguir, Domingos relembra episódios de bastidor do filme.

O que permanece jovem naquela sua love story de 1966, capaz de ainda gerar surpresa numa revisão do filme? Que respostas Todas as Mulheres do Mundo ainda te dá sobre o amor?
DOMINGOS OLIVEIRA:
Todas. Todos os amores são iguais e completamente diferentes. A alegria do amor, a solidariedade com os sofrimentos do outro.

Como era o Brasil de 1966 quando o filme ficou pronto? Como era o Domingos de 1966?
DOMINGOS: 
5 de fevereiro: É decretado o Ato Institucional N° 3, que institui as eleições indiretas para governador e vice-governador, e se dá uma nomeação de prefeitos. 21 de fevereiro: O jogador de futebol Pelé casa-se com Rosemeri dos Reis Cholbi às 8h30. 5 de junho: Ademar Pereira de Barros é afastado do cargo de governador de São Paulo e cassado pelo presidente Castelo Branco. 6 de junho: O líder do Partido Comunista Brasileiro, Luís Carlos Prestes, é condenado a 14 anos de prisão. 25 de julho: Um atentado a bomba contra o marechal Artur da Costa e Silva, candidato a presidente do Brasil, no aeroporto de Guararpes, em Recife, Pernambuco, deixa três mortos e vários feridos. 13 de setembro: Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco sanciona a lei que estabelece o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). 3 de outubro: O candidato da Aliança Renovadora Nacional, Artur da Costa e Silva, é eleito presidente do Brasil pelo Congresso Nacional com 295 votos na eleição presidencial indireta. E lá estava eu, poeta, com minha fome de viver.

Que história mais emotiva você lembra da feitura de Todas as Mulheres do Mundo em relação à sua história com Leila Diniz? Como a Leila reagiu quando o filme ficou pronto?
DOMINGOS: A do poema no Quitandinha. Quando o filme ficou pronto, nós já éramos amigos, sem dores. Abraçamos e nos beijamos muito, e, em seguida, nós tomamos um porre.

Quais são seus planos cinematográficos para comemorar estes 50 anos?
DOMINGOS: Se Deus quiser, se a saúde permitir, farei uma série de filmes: Doppelgänger, A Casa dos Budas Ditosos, Clímax e Ritual de Passagem.

DEDE

Existe um filme novo seu pronto, BR716, com Caio Blat. A trama se ambienta em 1963, quando um jovem engenheiro e aspirante a escritor Felipe (Blat) ganha do pai um apartamento na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, onde viverá uma ciranda afetiva em meio a um turbilhão político no Brasil. O que podemos esperar deste projeto?
DOMINGOS: No passado, o sentimento de grupo era muito maior. Os jovens de hoje são bem mais velhos. Foi o que senti fazendo este novo filme.