‘The Vandal’, um animado rescaldo de Cannes

‘The Vandal’, um animado rescaldo de Cannes

Rodrigo Fonseca

21 de julho de 2021 | 10h23

Rodrigo Fonseca
Preparando o que promete ser um ímã de Oscars em 2022 (“The Whale”, com Brendan Fraser no papel de um professor com obesidade mórbida), o cineasta Darren Aronofsky (de “Cisne Negro”) não lança novos filmes como realizador desde 2017, quando levou “mãe!” à disputa pelo Leão de Ouro, mas tem feito barulho nos grandes festivais de cinema com seus novos experimentos como produtor. Em 2019, ele foi a San Sebastián ajudar na promoção de “Pacificado”, de Paxton Winters, drama sobre a violência social carioca, rodado no Morro dos Prazeres, que acabou saindo da Espanha com a Concha de Ouro. Semana passada, seu nome foi badalado em solo cannoise com a exibição do curta-metragem “The Vandal” na Quinzena dos Realizadores. É uma mistura sofisticada de live action e de animação tendo como protagonista o ator e diretor Bill Duke, hoje em cartaz em “Nem Um Passo Em Falso”, de Steven Soderbergh. Seu visual dá uma torcida na realidade americana ao recriar os EUA do século XX. O tal vândalo do título é Harold (Duke), um sujeito que entra num surto destrutivo após uma lobotomia. Obras de arte são foco de sua fúria, que se intensifica após a morte de sua mulher. Mas algo há de mudar em sua vivência da Beleza estética. A direção é de Eddie Alcazar, que conversou com o P de Pop sobre seu olhar filosófico sobre a fruição artística e sobre o desempenho de Duke, que ganhou uma homenagem na mostra Cannes Classics, onde exibiu seu telefilme “The Killing Floor”, lançado pela Public Broadcasting Service (PBS), em 1984.

Gostaria que você elaborasse um pouco sobre a idéia de Beleza representada no filme. O que representa o vandalismo de Harold como efeito da lobotomia? O que representa sua fúria criativa, em suas pinturas?
Eddie Alcazar:
Sinto que o filme é, em parte, um estudo sobre o que desencadeia a centelha criativa em um indivíduo, a partir de um trauma ou de um despertar. Acredito que Harold está sempre tentando se reconectar com o amor através da destruição ao longo do filme, até o ponto em que ele tem um despertar e percebe que a criação é o caminho para a reconexão e paz de espírito.
O que significa dirigir um titã como Bill Duke, que também é um cineasta? O que ele acrescenta ao processo de direção?
Eddie Alcazar:
Foi um grande prazer trabalhar com Bill. Ele é um dos indivíduos mais tranquilos e gregários com quem já trabalhei e isso, por si só, é muito inspirador. Ele confiou em mim durante todo o caminho e ter essa confiança no processo elevou a todos. Como ele é diretor também, isso o torna muito consciente do que contribui para fazer um grande filme e do que não contribui. Assim, ele sempre conseguiu encontrar esse equilíbrio de contribuir e ao mesmo tempo permitir que outros floresçam criativamente.
Como foi o envolvimento criativo de Darren Aronofsky?
Eddie Alcazar:
Darren e sua empresa (a Protozoa Pictures) acreditaram na nossa visão e ajudaram a financiar o filme. Era uma experiência, mas sinto que todos ficaram surpresos com o resultado.
Estima-se que “The Whale” vá estar entre os concorrentes ao Leão de Ouro deste ano, a serem divulgados nesta segunda. O filme de abertura de Veneza este ano vai ser “Madres Paralelas”, de Pedro Almodóvar. O festival da terra das gôndolas vai de 1º a 11 de setembro.

p.s.: Mais prestigiado evento cinéfilo de 2020, o seminário NA REAL_VIRTUAL, organizado por Carlos Alberto Mattos e Bebeto Abrantes, vai virar websérie e está organizando, via Catarse, a campanha de crowdfunding para sua realização. Contribuições podem ser feitas até o dia 12 de agosto de 2021, pelo site: https://www.catarse.me/webserienarealvirtual.

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