‘The Lighthouse’, thriller Brasil x EUA, é premiado em Cannes

‘The Lighthouse’, thriller Brasil x EUA, é premiado em Cannes

Rodrigo Fonseca

25 de maio de 2019 | 12h06

Rodrigo Fonseca
Produzido pelo carioca Rodrigo Teixeira na Nova Escócia, no Canadá, e estrelado pelo novo Batman, o galã inglês Robert Pattinson, o thriller psicologico “The Lighthouse” sai do Festival de Cannes laureado com o Prêmio da Critica, honoraria dada anualmente pela Federação Internacional de Imprensa Cinematografica (Fipresci). A honraria foi entregue neste sabado, às vésperas do anuncio da Palma de Ouro e dos demais galardões do júri oficial. O diretor do longa com Pattinson, que vai estrear em novembro, é o cineasta americano Robert Eggers (de “A bruxa), que escreveu o roteiro com seu irmão, Max, baseado em recortes de jornal do século XIX e elementos da literatura sobre marinheiros (como « Moby Dick »). Foram laureados ainda pela federação os filmes “It must be Heaven”, do palestino Elia Suleiman (da seleção oficial), e o russo “Beanpole”, de Kantemir Balagov (da mostra Un Certain Regard).

Ambientado em um farol de uma região insular desolada, o longa-metragem foi uma das revelações da Quinzena dos Realizadores, seção paralela à disputa dos prêmios oficiais de Cannes, voltada para projetos de alta voltagem autoral. A Fipresci concedeu mais dois prêmios :
«Cannes tem me provado que o trabalho duro compensa e dá frutos», disse Teixeira, ao receber o prêmio em nome de Eggers, divulgando, por celular, uma mensagem de gratidão que o realizador enviou a Cannes por whatsapp.

“É muito bom ver nosso trabalho ser compreendido e apreciado por uma comunidade que funciona como porta-voz do cinema”, disse Eggers.

Apoiado em uma fotografia em preto e branco (assinada por Jarin Blaschke) de um requinte diferente de tudo o que se viu em Cannes este ano, o longa-metragem se concentra na feroz relação entre dois faroleiros, em 1820. Pattinson é o faroleiro aprendiz e Willem Dafoe é seu mestre. Logo no começo, uma cena de embrulhar estômagos testa o talento e a frieza do jovem astro britânico, revelado na franquia “A saga Crepúsculo” (2008-2012): seu personagem mata uma ave do mar, um albatroz, esmagando-o violentamente no chão.
“Se machucaram algum animal em cena? Só nós dois”, brincou Dafoe, deixando evidente não ter havido maus tratos a animais e sim efeitos e truques de câmera.
Existe uma tensão crescente naquele espaço onde os dois homens de diferentes idades e de temperamentos distintos estão confinados. “Meu irmão, Max Eggers, propôs para mim um enredo sobre fantasmas em um velho farol. Juntei com referências a fatos reais de jornais do século XIX e a referências à literatura do mar, como ‘Moby Dick’ e outrs cults”, disse o diretor, que mostra uma sereia no filme, testando a lucidez dos personagens e da plateia. “Não sei nem quero explicar o que ela simboliza, mas ela é um fatasma para o personagem de Robert”.

Antes da premiação dos jurados da Fipresci, foi anunciado o ganhador da láurea anual do Júri Ecumênico, que une representantes de diferentes religiões para celebrar o humanismo nas telas: “A hidden life”, de Terrence Malick, foi o filme vencedor deste ano. O novo longa do veterano cineasta e filósofo americano recria um episódio trágico da II Guerra Mundial para os austríacos: a história de um fazendeiro germânico, vivido por August Diehl, que se recusou a apoiar os nazistas.

Prêmios da Fripresci em 2019
Competição oficial:  « It muste be Heaven », de Elia Suleiman
Un Certain Regard: “Beanpole”, de Kantemir Balagov
Quinzena dos Realizadores :  “The Lighthouse”, de Robert Eggers
Prêmio do Júri Ecumênico: “A hidden life”, de Terrence Malick

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