‘Telegraph’ elenca os (quase) melhores docs sobre rock

‘Telegraph’ elenca os (quase) melhores docs sobre rock

Rodrigo Fonseca

16 de junho de 2017 | 09h36

Faltou na enquete inglesa o doc de Vladimir Carvalho sobre Renato Russo, sua Legião Urbana e seus conterrâneos da música pop: “Rock Brasília”

RODRIGO FONSECA

Listas de filmes são sempre imperfeitas, mas também são deliciosamente importantes para a arqueologia cinematográfica, sobretudo quando centradas em especificidades da cultura pop que raramente alcançam debates em larga escala, como é o caso da saborosa seleta feita pelo jornal inglês The Telegraph reunindo os “25 maiores documentários musicais de todos os tempos”. De cara, a ausência de Rock Brasília (2011), de Vladimir Carvalho, desmonta a excelência sugerida no título, não por rusgas ufanistas, mas pelo descaso com o olhar latino-americano sobre esse tal de roquenrol. Mesmo assim, foram elencadas pepitas como Theremin: Na Eletronic Odyssey (1994), sobre a criação do instrumento homônimo, ou Elvis: That’s The Way It Is (1970), de Denis Sanders, sobre a derrocada existencial de um mito. O primeiro lugar ficou com Peter Green: Man of The World (2009), de Steve Graham.

 

http://www.telegraph.co.uk/films/0/best-rock-music-documentaries-time/

Por confiar em demasia no Passado, a lista do Telegraph deixou passar um dos maiores achados do Festival de Cannes deste ano: Alive in France. Indicado três vezes à Palma de Ouro em 46 anos de carreira como diretor, Abel Ferrara foi o culpado por esta narrativa, definida pela crítica como a mais saborosa epifania sensorial vivida pela Croisette este ano. Foi na Quinzena dos Realizadores que o cultuado realizador de O Rei de Nova York mostrou estar no auge de sua forma documental ao registrar os bastidores de um concerto em Paris, com as musicas de seus filmes, em Alive in France.

Abel Ferrara de guitarra em punho em “Alive in France”, atração da Quinzena dos Realizadores de Cannes

Contagiante em seu mergulho na cena musical parisiense, o doc é um autorretrato que mais parece autoficção, pois, ao abrir sua intimidade, Ferrara nos apresenta um recorte quase folclórico de si mesmo. Sua narrativa esta para o rock e o jazz como Pina, de Wim Wenders, estava para a dança. O jogo visual estroboscopico com as entranhas do clube Salò, ambiente que “hospeda” o cineasta e seus amigos, gera uma sinestesia marcada pela policromia, sufocante, mas excitante.

 

 

 

 

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