Telecine Open Air, um sopro de cinefilia

Telecine Open Air, um sopro de cinefilia

Rodrigo Fonseca

07 de setembro de 2020 | 09h36

Rodrigo Fonseca
Sucesso de público e crítica na França, onde encheu salas antes da pandemia, sendo bem resenhada pela “Cahiers du Cinéma”, voltando ao circuito de Paris e arredores quando a 40ena cessou, o (saborosamente) rascante “Três Verões”, de Sanda Kogut, papou prêmios nos festivais de Atalya, na Tuquia; de Málaga, na Espanha; de Havana; em Cuba; e no Rio, coroando sua atriz, Regina Casé, em magistral interpretação. No dia 16, este estudo endêmico sobre a corrupção – feito a partir da decadência de uma família aristocrática, vista pelo prisma da governanta – vai ganhar a telona tamanho GGG (325m²) do Telecine Open Air, no RJ, na Marina da Glória. O regresso de Sandra à telina, cinco anos depois de “Campo Grande” (2015), abre as alas do sucesso para a maior tela ao ar livre do planeta (do tamanho de uma quadra de tênis), de volta agora em versão drive-in. A capacidade é para 72 carros. Idealizado e executado há 18 anos pela D+3 Produções, de Renato Byington, o já tradicional cinemão vai dar um gás à experiência audiovisual coletiva, respeitando medidas de segurança. A projeção é digital e o sistema de som pela frequência de rádio do carro. Será disponibilizada uma bomboniére clássica de cinema, com pedidos feitos pela Internet e entregues diretamente nos carros, dentro das normas de segurança. Nos primeiros dias, vai ter “O Grande Gatsby” (2013), com Leonardo DiCaprio, no dia 17; “Rogue One: Uma História Star Wars”, no dia 18; e “La La Land” no dia 19. Some aí, para esta temporada do Telecine Open Air uma dose de “O Senhor dos Anéis”, de “Harry Potter” e de “Era Uma Vez em Hollywood” (2019). Na entrevista a seguir, Renato Byington, que coordena essa viagem cheia de sinestesia pela experiência audiovisual, fala das mudanças estruturais deste ano.

O que mudou no público do Open Air desde a estreia até hoje, em especial por conta das mudanças da relação da cinefilia com o cinema após o surgimento dos streamings? A relação dos espectadores com os filmes mudou? Qual é a média de público ano a ano?
Renato Byington:
Cada vez mais, o público do Open Air gosta das experiências inesperadas que o evento realiza, como trazer um coral de jovens para cantarem ao vivo, junto com o filme, nas cenas finais de “A Noviça Rebelde”. Ou como na noite em que exibimos “The Big Lebowski” e toda a equipe de produção do evento estava vestida com roupão de banho, imitando o personagem Dude. É o cinema que te leva além. Você faz parte do filme. Assistir a um filme ao ar livre, em uma tela do tamanho de uma quadra de tênis, representa uma experiência audiovisual incomparável. Por conta disso, a cada dia o evento se torna mais relevante em um mundo multitelas, pois o público vivencia o cinema com uma mágica que imagino remontar aos tempos das primeiras exibições de filmes, para grandes platéias. Desde 2017, o evento vem lotando todas as sessões, com um público total aproximado de 25.000 pessoas em cada cidade. Dessa vez, com o formato adaptado para o drive-in, a capacidade de público está reduzida para 280 pessoas a cada noite, o que trará uma sensação ainda maior de se fazer parte do filme.

Como foi feita a seleção dos filmes deste ano e o que essa diversidade aponta?
Renato Byington:
Este ano, muitos filmes importantes completam datas especiais, como o delicioso “O Auto da Compadecida”, com um João Grilo inesquecível. São 20 anos do lançamento. Tem “Uma linda mulher”, que faz 30 anos, e “De Volta Para o Futuro”, que celebra 35 anos. E o clássico de Kubrick, “O Iluminado”, faz 40 anos. Como o evento é uma grande festa que homenageia o cinema, escolhemos esses aniversariantes tão especiais. Mas temos também uma homenagem fundamental ao nosso cinema, com “Central do Brasil” sendo exibido na super tela.

O que o espaço da Marina da Glória representa como investimento para um evento multimídia como o Open Air?
Renato Byington:
Para complementar a magia de uma sessão de cinema no Open Air, a escolha do local é feita com muito critério: precisa ser um lugar especial. É assim em Brasília, no Pontão do Lago Sul; em São Paulo, no Jockey Clube; e, claro, na Cidade Maravilhosa, a Marina da Glória é um local lindíssimo, acessível e seguro do Rio de Janeiro.

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