Tea Lindeburg vai ao Céu na Mostra de SP

Tea Lindeburg vai ao Céu na Mostra de SP

Rodrigo Fonseca

29 de outubro de 2021 | 13h13

A diretora Tea Lindeburg e sua premiada atriz, a adolescente Flora Ofelia Hofmann Lindahl, nos sets de “Assim Como No Céu”

RODRIGO FONSECA
Um dos filmes mais elogiados (e disputados) da 45ª Mostra de São Paulo, o arrebatador longa-metragem dinamarquês “Assim Como no Céu” (“Du Som Er I Himlen”), da estreante Tea Lindeburg, saiu duplamente vitorioso do último Festival de San Sebastián, realizado em setembro, no norte da Espanha. Foi agraciado lá com os troféus de Melhor Direção e Melhor Interpretação, dado à adolescente Flora Ofelia Hofmann Lindahl. Esta foi laureado num empate com a americana Jessica Chastain (laureada por “Os Olhos de Tammy Faye”). Dona de uma aclamada trajetória em curtas e séries de TV (entre elas o cult europeu “Equinox”, de 2020), Tea hoje comemora a boa repercussão no Brasil de seu longa, que segue em cartaz na Mostra Play, a plataforma online da maratona paulistana, que encerra sua maratona nesta quarta. A realizadora ambienta sua narrativa na Dinamarca dos 1800, na ilha de Fiónia (Fyn), uma das maiores do país. Na trama, Flora Ofelia vive Lise, uma adolescente de tem 14 anos. Ela é a mais velha entre os irmãos e também a primeira da família a frequentar a escola, o que a enche de esperanças para o futuro. Porém, quando sua mãe entra em trabalho de parto, a garota não demora a perceber que algo está errado. Conforme a noite avança e o parto prossegue, com urros de dor, Lise começa a compreender que esse dia pode terminar com ela na posição de mulher da casa, tendo sua juventude atropelada por uma tragédia.
Qual é o equilíbrio entre vida e a morte que o sangue retratado ostensivamente em lençóis e vestidos no filme expressa?
Tea Lindeburg:
Existe uma mulher que está trazendo uma vida nova para o mundo, mas está morrendo nesse processo, e existe sua filha, que está se tornando moça. O sangue ligado a essa perda e o vermelho nas maças penduradas pelas árvores do cenário pontuam esse clima de intensidade de uma história que fala sobre mudanças, sobre o desabrochar.
Como é o território onde escolheu filmar?
Tea Lindeburg:
É a Ilha da Fiónia, uma das três maiores da Dinamarca, de onde minha mãe vem. É um lugar que soa acolhedor para narrar uma história de amadurecimento pelos olhos de uma mulher. E é também uma história sobre pertencimento.
Como e onde buscar elementos para construir uma narrativa sobre o século XIX, sobre os anos de 1800, em uma geografia audiovisual, a Escandinávia, que produziu titãs como Bergman e como Carl T. Dreyer, que recriaram essa época em seus filmes?
Tea Lindeburg:
Eles são o solo da nossa cinematografia. Nossa base. Mas também são um peso sobre nossas costas. Não quis me reportar a eles de modo a construir o meu olhar, mesmo tendo profunda admiração por eles.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.