‘Taxi Driver’ estaciona no Corujão da Globo nesta madrugada

‘Taxi Driver’ estaciona no Corujão da Globo nesta madrugada

Rodrigo Fonseca

05 Janeiro 2018 | 14h01

Rodrigo Fonseca
Ok, 3h49 é tarde… mas, saber que uma emissora aberta brasileira, e uma do porte da Rede Globo, vai exibir Taxi Driver (1976) em sua grade, não importa a hora que seja, é uma vitória – e tanto- para a cinefilia nacional: o cult que deu a Martin Scorsese a Palma de Ouro será exibido no plimplim na madrugada deste sábado (na virada de hoje para amanhã). E terá uma exibição dublada, pela BKS, com o genial desempenho de Carlos Campanille cedendo a voz a Robert Anthony De Niro Jr. numa Nova York purulenta. Existe uma segunda dublagem, com Reginaldo Primo dando voz a De Niro. Mas prefira a original. Orçado em US$ 1,3 milhão, o filme foi indicado a quatro Oscars (sem ganhar nenhum), agraciado com 21 prêmios internacionais e coroado com uma bilheteria de US$ 28 milhões. Sua montagem teve como supervisão da editora Márcia Lou Griffin, então casada com o produtor e cineasta George Lucas.

Foi Paul Schrader, o diretor de A Marca da Pantera (1982) quem escreveu Taxi Driver para o casal de produtores Julia e Michael Phillips. A ideia inicial deles era confiar a direção a Robert Mulligan (1925-2008), o realizador do mítico O Sol é Para Todos (1962), que teria pela frente a tarefa de narrar as neuroses do motorista Travis Bickle. Chofer de táxi respeitado por sua disciplina, Bickle voltou repleto de “carregos” mentais e existenciais da Guerra do Vietnã, enxergando-se como um Cordeiro de Deus. Em Manhattan, ele inicia um conflito contra os marginais para expurgar os pecados do mundo.

Logo nas primeiras reuniões com Mulligan, os Phillips perceberam que ele não era o diretor ideal e sentiram a necessidade de um cineasta mais jovem, sintonizado com as inquietações da geração que começava a revolucionar o cinema nos EUA. Cogitaram chamar Brian De Palma para a direção, pois este vinha do sucesso de Irmãs Diabólicas (1972). Pensaram num jovem promissor… um tal de Jeff Bridges… para assumir o papel de Bickle. O rapaz tinha acabado de ser indicado ao Oscar por O Último Golpe (1974). Mas foi o próprio De Palma quem indicou seu amigo Scorsese, por enxergar no script de Schrader um perfume cristão mais próximo do coração católico de seu colega ítalo-americano. E Scorsese, que andava sendo festejado pelo êxito de Alice Não Mora Mais Aqui (1974), tinha em Robert De Niro um parceiro ideal, perfeito para viver Bickle. Os dois haviam feito há pouco tempo uma radiografia urbana muito respeitada Caminhos Perigosos, lançada em 1973. Diante destes fatos, os Phillips aprovaram a dica dada por De Palma e convidaram Schrader a trabalhar em dobradinha com Scorsese, adaptando os diálogos para De Niro. Juntos, os três fizeram de Taxi Driver um marco da chamada Nova Hollywood, projetando ainda os jovens Harvey Keitel e Cybill Shepherd, além de uma Jodie Foster cheirando a leite, com 13 anos.

Ganhador da Palma de Ouro em Cannes em 1976, “Taxi Driver” terá sessão na Rede Globo nesta madrugada, às 3h49

À frente da câmera, estava o fotógrafo Michael Chapman, cujas lentes enfatizam a poluição visual e a sujeira de Manhattan. Na trilha sonora, Bernard Herrmann evoca os sons do cinema noir, construindo uma melodia fina, mas dolorosa.

Em 2017, a cineasta escocesa Lynne Ramsay prestou um tributo indireto a Taxi Driver emulando situações da trama escrita por Schrader no enredo de seu novo longa, You Were Never Really Here,  laureado em Cannes com os prêmios de Melhor Roteiro e Ator, dado a Joaquin Phoenix. Neste momento, De Niro, Keitel e Scorsese finalizam The Irishman, com Al Pacino e Joe Pesci no elenco, numa produção feita pra NetFlix.