Takeshi Kitano vai além do ultraje em ‘Ghost in the Shell’

Takeshi Kitano vai além do ultraje em ‘Ghost in the Shell’

Rodrigo Fonseca

30 Março 2017 | 11h44

Takeshi Kitano é Aramaki, chefe de uma elite antiterror em

Takeshi Kitano interpreta Aramaki, chefe de uma elite antiterror em “A Vigilante do Amanhã – Ghost in the Shell”

RODRIGO FONSECA

Entre as muitas virtudes de A Vigilante do Amanhã – Ghost in the Shell, que encobre sob seu glacê sci-fi uma missa fina de dramaturgia policial, uma dimensão cinéfila de homenagem se destaca: a participação de Takeshi Kitano como o chefe Aramaki é um tributo ao veterano ator e cineasta japonês. Falando em sua língua materna, o astro de 70 anos, que trilhou um bushidô muito peculiar como realizador, rouba para si cada cena em que aparece no thriller em tom de ficção científica de Rupert Sanders, dando uma ajuda à tira sintética vivida por Scarlett Johansson. Mais do que um coadjuvante de luxo, seu personagem ganha uma função dinâmica na trama, impelindo Major, a protagonista, a cumprir sua missão de investigar o assassinato em série de médicos e cientistas ligados a criação de construtos mecânicos. Tem até cena de ação para ele estrelar, o que evoca alguns de seus melhores momentos históricos nas telas, uma vez que sua filmografia como realizador é marcada por exercícios de flerte com a violência, tipo Adrenalina Máxima (1993). Ganhador do Leão de Ouro do Festival de Veneza por Hana-Bi – Fogos de Artifício (sua obra-prima), em 1997, Kitano estreou no cinema só atuando, em 1980, e, nove anos depois, começou a filmar. Conquistou prêmios nos mais prestigiados eventos cinematográficos do ano, tendo concorrido à Palma de Ouro em Cannes em 1999, com Verão Feliz, e em 2010, com o capítulo nº 1 da sangrenta trilogia Ultraje. O terceiro tomo da franquia, Outrage: Final Chapter, é um dos títulos mais esperados do ano entre os lançamentos asiáticos de 2017. estima-se que ele estará na Croisette, em maio, na edição 7.0 de Cannes.