‘Tá Rindo Do Quê?’ na TV: um Sandler genial

‘Tá Rindo Do Quê?’ na TV: um Sandler genial

Rodrigo Fonseca

13 de março de 2021 | 08h10

As filmagens de “Tá Rindo Do Quê?”, com o diretor Judd Apatow, Adam Sandler, Leslie Mann, Seth Rogen e Eric Bana: obra-prima da dramédia

RODRIGO FONSECA
Tem uma obra-prima da crônica afetiva agendada para a TV aberta, nesta madrugada, à 1h, na Globo: Tá Rindo Do Quê?” (“Funny People”, 2009). Nela, Adam Richard Sandler cala todas as bocas que duvidam de seu gigantesco ferramental cênico numa atuação nas raias entre o riso catártico e a mágoa. Quem viu seu magistral desempenho no thriller “Joias Brutas” (“Uncut Gems”, 2019) sabe o quão alto o mais rentável ás da comédia dos últimos 20 anos pode voar, para além do perímetro da risada. E a dublagem de Alexandre Moreno é um primor. A voz maviosa de Moreno já confundiu-se com a persona de Sandler no imaginário brasileiro. E ela se faz ainda mais ajustada nesta dramédia autoralíssima do diretor de “O Virgem de 40 Anos” (2005), que revê momentos da parceria passada de ambos.

Na trama, Sandler é George Simmons, um popular comediante que se descobre portador de uma doença sanguínea incurável. Devido a ela, George tem apenas mais um ano de vida. Ira Wright (Seth Rogen, antológico) é um comediante em ascensão que tem dificuldades em dissociar seus personagens dele próprio. George e Ira têm uma característica em comum: não possuem amigos próximos. Uma noite, eles se conhecem quando fazem apresentações no mesmo local. George contrata Ira para ser seu assistente pessoal, abrindo seus shows. Logo, eles se tornam amigos, com George ensinando a Ira como conduzir o público do palco e Ira ajudando-o a encontrar seu legado. O rapaz sabe que o mestre está mal e intui que aquela relação, como qualquer carnaval, tem seu fim. Mas tenta seguir com seu mentor, lado a lado, mesmo quando este, um mulherengo compulsivo fica grosseiro. Mas George, que acredita estar “nos finalmentes” de sua jornada, resolve usar a vontade de potência que lhe resta para reconquistar seu grande amor, Laura, vivida pela brilhante Leslie Mann, mulher de Apatow. Mas Laura se casou com um sujeito lá do Novíssimo Mundo, Clarke (Eric Bana). George vai ter de dar o melhor de si para reverter o placar desse jogo. Só que esse é o dilema: ele não sabe ser melhor. Por sorte, Sandler sabe. Ele nos dá aqui uma interpretação antológica num ensaio sobre Finitude e Lealdade, cuja bilheteria gravitou na órbita de US$ 70 milhões. Dado curioso: em Portugal, o longa se chama “Gente Gira”.

p.s.:Adieu Les Cons”, de Albert Dupontel, foi o grande vencedor do Troféu César 2021, laureado com os prêmios de melhor filme, direção, roteiro original, fotografia, direção de arte e ator coadjuvante (Nicolas Marié). Na trama, uma mulher (Virginie Efira) tenta encontrar uma criança que há tempos perdeu com a ajuda de dois trapalhões.

p.s.2: A coreógrafa, bailarina e professora Aline Bernardi ministrou, durante sete semanas, uma edição especial do Laboratório Corpo Palavra – coreografias e dramaturgias cartográficas. Uma residência artística intensiva e imersiva no formato virtual de formação e criação artística que se propôs a investigar as tramas entre a escrita e os nossos movimentos mais cotidianos. O resultado deste trabalho e outros desdobramentos da pesquisa desenvolvida por Aline há seis anos serão apresentados na mostra virtual “Cartografias Sensíveis”, de 17 a 20 de março, pelo canal do Youtube Celeiro Moebius (https://bit.ly/3q9zULp). Com direção artística de Aline Bernardi e dramaturgia de Ligia Tourinho, o evento gratuito vai contar com apresentação de obras de videoperformance, videodança e videoarte, show, lançamento de livros e conversas sobre o percurso artístico com os 33 participantes do laboratório.

p.s.3: A obra de Ana Cristina Cesar (1952-1983), uma das grandes poetas brasileiras, é recheada de questões existenciais e reflexões sobre o próprio ato de escrever. Com refinamento, ela transformava a banalidade do cotidiano em arte, a partir de uma linguagem coloquial, mas repleta de imagens e referências sofisticadas. Como essa poesia chega e é sentida, no ano de 2021, por uma atriz de 39 anos que vive a quarentena no Rio de Janeiro? Assim se constrói “Ana C.”, solo com dramaturgia e atuação de Laura Nielsen e codireção dela com Thaís Grechi. A montagem entra em temporada virtual, de 18 a 28 de março, com ingressos gratuitos e exibição pelo Youtube – os links estarão disponíveis 30 minutos antes de cada sessão nas páginas do projeto no Facebook (www.facebook.com/anacteatro/) e Instagram (@ana_c_teatro). Haverá também debates nos dias 20 e 27 após a sessão das 21h.

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