SXSW recebe a ‘Medida Provisória’ do Brasil

SXSW recebe a ‘Medida Provisória’ do Brasil

Rodrigo Fonseca

21 de fevereiro de 2021 | 11h10

Taís Araújo e Alfred Enoch em “Medida Provisória” @Fotos de Mariana Vianna

Rodrigo Fonseca
Do pop viestes ao pop voltarás: previsto para ser o palco de arrancada para a carreira mundial de “Medida Provisória”, a estreia de Lázaro Ramos como realizador, em 2020, o festival SXSW, em Austin, no Texas, acabou sendo adiado, numa sequela da pandemia, mas, agora, um ano depois, a edição de 2021 do evento vai exibir a produção brasileira, numa repescagem do que não teve chance de ser exibido. As atuais datas do South By Southwest (esse é o nome o sobrenome dessa maratona cinéfila que, a cada ano, torna-se a mais expressiva dos EUA): 16 a 20 de março. Em outubro, o longa-metragem, chamado “Executive Order” lá fora conquistou o prêmio de melhor roteiro no Indie Memphis Festival. Lusa Silvestre, Elisio Lopes Jr. e Aldri Anunciação roteirizaram o projeto, apresentado antes no Festival de Moscou, na Rússia, também sob forte aclamação. Essa distopia em tons alarmistas do astro de “O Homem Que Copiava” (2003) tem como inspiração livre a peça “Namíbia, não”, do próprio Aldri. Lázaro dirigiu esse texto teatral nos palcos, em 2011, no Rio. Em maio de 2019, o P de Pop foi ao set de filmagens, na Praça da Harmonia, no bairro da Gamboa, no RJ, tendo ainda acompanhado duas leituras de roteiro com Lazinho. Lá no set, há um ano e nove meses, Taís Araújo, Seu Jorge e o anglo-brasileiro Alfred Enoch, o Dean Thomas da franquia “Harry Potter”, estrelaram a sequência que acompanhamos, numa descida de ladeira. Taís vive a médica Capitu, que testemunha um rebuliço no país, causado por uma decisão do governo que pode expatriar os negros residentes no Brasil. Enoch é o namorado dela, Antonio, um advogado aguerrido em suas causas, que tem um primo jornalista – papel de Seu Jorge. O elenco ainda traz duas titãs da TV: Adriana Esteves e Renata Sorrah. “A coisa mais bacana de dirigir é saber tomar decisões de modo a ajudar o coletivo. A gente pensa no todo e não no que é melhor só pra gente. Tomei aula de técnica cinematográfica antes de embarcar nessa e me arriscar como cineasta, estudando lente, eixo, enquadramento… Só que o fator essencial num set é saber transmitir os afetos que eu tenho a partir dos personagens que estou ajudando meu elenco a criar”, disse Lázaro ao Estadão na filmagem, sempre ao lado do fotógrafo Adrian Teijido (de “Elis” e “O palhaço”). “Eu preciso contar algo que vem de dentro, que corresponde aos meus sentimentos de mundo”. Na tropa de choque do que define como uma história de amor em um Brasil distópico, Lázaro conta ainda com (a já citada) Mariana Xavier, Pablo Sanábio, Dan Ferreira, Flavio Bauraqui, Pedro Nercessian, Hilton Cobra e “muitas outras atrizes e atores bacanas, capazes de trabalhar de forma harmônica”. Com dois astros talhados pelo cinema de língua inglesa nas mãos, como Seu Jorge e Enoch (o Wes Gibbins de “How to get away with murder?”), Lázaro mergulhou em modos de atuar bem distintos. “É uma esgrima de talentos”, disse o astro de “Madame Satã” (2002), que construiu uma das sólidas carreiras entre os talentos revelados pela Retomada do cinema nacional, na década passada.

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