Suspiros de Buñuel no Anima Mundi

Suspiros de Buñuel no Anima Mundi

Rodrigo Fonseca

09 de julho de 2019 | 10h58

Rodrigo Fonseca
Pilar do surrealismo nas telas, o espanhol Luis Buñuel (1900-1983) enfrentou intolerâncias das mais diversas ordens para seguir filmando após o lançamento de “A Idade do Ouro”, em 1930, cuja ironia despertou uma torrente de ódio que quase embotou sua carreira. Sua luta para se manter por trás das câmeras, dirigindo o mítico “Terra sem pão” (“Las Hurdes”, 1933), virou a argamassa do que promete ser “a” sensação do 27º Anima Mundi (17 a 21 de julho no RJ; 24 a 28 de julho em SP): “Buñuel en el laberinto de las tortugas”, longa-metragem inspirado na HQ de Fermín Solis. Com direção de Salvador Simó, concorrido técnico de efeitos especiais de Hollywood, com filmes como “Mogli, o Menino Lobo” (2016) no currículo, a desenho sobre o jovem Buñuel ganhou o Prêmio Especial do júri no Festival de Annecy (a Cannes do setor), em 2018, além de uma láurea de melhor trilha sonora. Na trama animada por Simó com base nos desenhos de Solis, o mítico cineasta é alvo de ataques da imprensa ao ser encarado como um herege o que prejudica seu trabalho. Quando um amigo, artista plástico, ganha uma bolada na loteria, o cineasta recorre ao dinheiro do colega para voltar a rodar, indo para os confins mais miseráveis da Espanha a fim de retratar uma população em luta com a pobreza.

 

Vai ter Otto Guerra no Anima Mundi também, com o desenho “A Cidade dos Piratas”, que se inspira no universo de quadrinhos da Laerte.  

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