Surpresa tcheca na Berlinale

Surpresa tcheca na Berlinale

Rodrigo Fonseca

15 de fevereiro de 2016 | 15h27

“We Are Never Alone”: floresta de signos

Soterrado sob uma avalanche de 433 filmes de diferentes formatos, um thriller tcheco se impôs nesta segunda-feira gelada do 66º Festival de Berlim como opção obrigatória para quem quer entender a desesperança que parece instalada nos corações de toda a Europa: o colossal We Are Never Alone (Nikdy Nejsme Sami). Quem assina direção é Petr Václav, um entusiasta do Brasil, fã de Julio Bressane, conhecido por produções como Marian, premiado em Locarno em 1996. Com um cabedal documental adquirido em filmagens em locais como a Sibéria, o cineasta busca um realismo bruto e sujo em seus enquadramentos ao filmar o conjunto de almas danadas que habita ao lado de uma floresta.

https://vimeo.com/154572566

Na trama, temperada de desesperança, um agente penitenciário paranóico, seu vizinho hipocondríaco, um dono de boate cheio de amor para dar e uma stripper em depressão se esbarram numa relação de intolerância indisfarçável. Cada colisão entre eles gera uma emoção letal, num filme de visual estonteante, que faz uma analogia entre homens e bichos. “Debaixo do verniz da cultura, que nos protege, somos todos animais e agimos por instintos. A única diferença é que bichos só atacam por fome. Nós, não”, diz Václav em entrevista ao P DE POP. “Há um certo exagero consentido na representação dos meus atores porque eu tento que eles exponham ao máximo os dilemas mentais e emocionais dos personagens. Não há teatralização: há uma reflexão sobre o quanto nos deixamos devorar pelo Poder”.

 

Outra surpresa do Fórum berlinense foi o thriller de ação made in Hong Kong Trivisa, de Frank Hui, Jevons Au e Vicky Wong. No enredo, ambientado em 1997, em meio aos preparativos para a transferência daquele território de bandeira britânica para a China, os chefes do submundo local buscam novas táticas para se adaptar à nova realidade do país. E nisso serão derramados litros de sangue.

 

 

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