Super Prumo, nova Casa das Ideias nas HQs

Super Prumo, nova Casa das Ideias nas HQs

Rodrigo Fonseca

17 de abril de 2020 | 11h19

Rodrigo Fonseca – #FiqueEmCasa
Rodrigo Fonseca
Nestes tempos de coronavírus, em que os quadrinhos têm sido um aliado essencial da lucidez, em meio à 40ena, a chegada da Super Prumo – nova e brasileiríssima editora dedicada a heróis com um pé na realidade, outro na História, e olhos apontados para a geopolítica – promete sacudir a seara latino-americana das HQs, tendo Luciano Cunha à frente do timão. Se o nome soou familiar – e deveria! – é porque é dele o seminal vigilante Doutrinador, adaptado para o audiovisual em 2018, em forma de filme e de série de TV. E esse Frank Castle verde e amarelo vai voltar, agora sob essa nova grife editorial, na trama “O Vírus Vermelho”. O projeto do artista gráfico é começar a lançar essa nova linha de gibis a partir de julho. Com Luciano, vem um time estelar de quadrinistas: Joe Bennett, Anderson Garcia, Rafael Dantanna, Lunyo Alves, George Wolf, Carlos ´Kihap´Eduardo.
“A linha editorial da Super Prumo vai seguir uma marca minha: criar e desenvolver personagens que eu chamo de ‘pés-no-chão’. Protagonistas quase reais, muito próximos da vida cotidiana, como se fosse uma realidade comentada”, explica Luciano ao P de Pop. “Há até mesmo protagonistas reais, como as tramas históricas que vamos publicar: João Ramalho, Graúna e o Tenente Bravo, que é um soldado ficcional brasileiro no cenário real de nossa campanha na Itália na Segunda guerra Mundial. Esse é o meu estilo. Não gosto de invasões intergalácticas e invasores do espaço”.

Conheça melhor os próximos títulos:
TENENTE BRAVO: Reconstituição histórica da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. Um belo e minucioso estudo feito pelo também roteirista e parceiro Carlos Ewald para trazer em detalhes a campanha “A Cobra vai fumar” na gelada Itália tomada pelo nazifascismo.

MARAJÓ DOS REIS: Norato é filho de Juraci dos Reis, Régio da Soberania de Soure, no Marajó, Brasil Colonial. Ainda recém-nascido, seu invejoso tio Tenório dos Reis trama contra seu pai, usurpando seu lugar e exilando-o da Soberania, passando a família a viver na pobreza. A fim de debelar a bruxaria do tio, Norato, já crescido, encara aventuras dignas de Conan, o Bárbaro, tendo como cenário o Pará.

JOÃO RAMALHO: Português de uma origem cercada de mistério, esse náufrago viveu entre os índios por décadas, foi proscrito pela igreja, tornou-se bandeirante, vereador e foi um dos fundadores da cidade de São Paulo. Seus feitos flertam com ação.

HECATOMBE: O ano é 2076 e o mundo está em colapso: além do aquecimento global, guerras biológicas tornaram a disponibilidade de água potável cada vez mais reduzida no mundo, gerando escassez hídrica total ou parcial. A pressão da China e dos EUA aumentam sobre o Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, países até então parceiros no Aquífero Guarani, a segunda maior fonte de água doce subterrânea do planeta. Traído pelo país sócio, sob muita espionagem e corrupção, o Brasil acaba entrando em sua segunda guerra contra o Paraguai. Para sobreviver ao conflito, um grupo nada harmonioso – composto por um fazendeiro cabeça-dura, sua neta adolescente paranormal e dois mercenários rebeldes – sai à procura de água e de paz, encarando exércitos e animais selvagens que sofreram mutações por contaminação.

Encarado hoje como um dos mais importantes autores de quadrinhos no Brasil, Luciano – que tem no currículo ainda heróis como O Santo (da Ed. Guará), faz um balanço do setor. “Eu não acho que o Brasil tenha um mercado propriamente dito, economicamente falando. Eu prefiro chamar de cena e não mercado, pois dá pra contar nos dedos os artistas que realmente conseguem sobreviver de quadrinhos no país”, explica Luciano. “Há aspectos interessantes nessa cena: ela nunca foi tão efervescente, tão rica em talentos e ao mesmo tempo tão fechada. Há ‘panelinhas’, sabe? Não há diálogo, não há interlocuções. Não sei se deve ser assim, sei lá. Eu acho que não. O pessoal de obras mais autorais menosprezam autores que fazem quadrinhos de super-heróis, por exemplo. E agora, definitivamente, há a insuportável polarização política. A cena de quadrinhos brasileira é o que ela poderia ser: um retrato do Brasil partido ao meio”.

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