Super-herói italiano vai invadir a TV brasileira

Super-herói italiano vai invadir a TV brasileira

Rodrigo Fonseca

17 de novembro de 2016 | 11h07

“Meu Nome é Jeeg Robot” vendeu 800 mil ingressos na Itália, desafiando “Deadpool”

RODRIGO FONSECA
Nem só de Marvel, DC e vigilantes alfabetizados em inglês vive o cinema de super-herói: tem um justiceiro à moda romana pintando em solo audiovisual nacional. Jeeg Robot é superforte, capaz de se regenerar de qualquer ferida, está apto a dar saltos quilométricos de fazer inveja aos do Hulk e é apaixonado por uma Lois Lane piradinha. Tudo isso dá a ele as credenciais para pleitear uma vaga em qualquer superequipe tipo Vingadores ou Liga da Justiça. Mas, tendo nascido em Roma, ele teve de se contentar em ser estrela nas salas de cinema da Itália, à frente de um longa-metragem que embora atípico mesmo para os padrões mais metafísicos da terra de Fellini, foi visto por 800 mil espectadores em seu país. Exibido aqui em agosto, na 8 ½ Festa do Cinema Italiano, em tela grande, Meu Nome É Jeeg Robot (Lo Chiamavano Jeeg Robot), primeiro filme do ator Gabriele Mainetti como realizador, agora vai diretamente para a TV, com exibição neste domingo, às 22h, no MaxPrime, com reprise no dia 23, às 17h40.

Numa aula de exotismo, Mainetti mostra o embate de Jeeg Robot contra uma gangue de estilizados mafiosos nas ruas de Roma. “A Itália vivia numa ladainha chata de que não seria possível filmar um longa de super-heróis por lá, o que me levou a peitar as dificuldades, produzindo essa experiência eu mesmo, ao custo de € 1,7 milhão, para mostrar que, no cinema, querer é poder”, explica Mainetti ao P de Pop por telefone, comemorando o êxito comercial de seu filme, que estreou quando Deadpool estava em cartaz na Itália. “Filme de super-herói é uma tendência comportamental”.

Claudio Santamaria vive o ladrão que ganha poderes ao mergulhar num rio poluído com tóxicos radiativos

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Alfabetizado com o melhor do quadrinho italiano em sua mocidade, sobretudo nas páginas do gibi Dylan Dog, o cineasta de 39 anos criou seu vigilante superpoderoso inspirado numa série de animes e mangás chamada Kôtetsu Jîgu (ou Jeeg Robot d’Acciaio na Itália) exibida na TV romana em 1975. Das aventuras do mecha japonês, o cineasta extraiu a saga de Enzo Ceccotti (Claudio Santamaria), um ladrãozinho de beira de esquina que adquire super-habilidades ao ser contaminado com poluentes radioativos. Ele é batizado como Jeeg Robot por uma vizinha autista, Alessia (Ilene Pastorelli), e acaba virando alvo do criminoso Cigano (Luca Marinelli), que cobiça os poderes do Super-Homem de Roma.

“Eu me formei como cinéfilo numa época em que o nome Sylvester Stallone era um sinônimo de heroísmo e aprendi a respeitar o tipo de herói de ação criado, nos anos 1980 e 90, por astros como ele”, diz Mainetti. “Delineei este filme fiel à tradição de ação, mas buscando inserir as características do cinema italiano, sobretudo a nossa ironia”.