Stepan Nercessian, aquele abraço

Stepan Nercessian, aquele abraço

Rodrigo Fonseca

08 de janeiro de 2020 | 19h00

Rodrigo Fonseca
Em sintonia com as altas temperaturas do Verão 2020, a TV Globo agendou para a semana de 14 de janeiro (terça que vem) uma versão minissérie do filmaço “Chacrinha“, do diretor Andrucha Waddington. Seu nome hoje é sinônimo de sucesso na telinha por conta da série médica “Sob pressão”. Houve uma ovação ao fim da sessão da cinebiografia de Abelardo Barbosa (1917-1988) no Festival do Rio de 2018. Parte considerável dos aplausos (a mais calorosa) foi para seu protagonista: Stepan Nercessian, em estado de graça em cena. Atual apresentador do programa de entrevistas e de carraspanas “Saideira”, do Canal Brasil, o ator-fetiche de Andrucha é responsável por momentos antológicos (e comoventes) na saga ficcional do Velho Guerreiro. Em 2019, ele celebrou 50 anos de carreira.

Goiano de Cristalina, nascido lá há 65 anos, Stepan, o Dr. Samuel do seriado global “Sob pressão”, está vivendo uma fase de apogeu. Confinado nos últimos anos a papéis secundários, Stepan ganhou notoriedade nas telas em 1969, ou seja, há quase cinco décadas, ao protagonizar o cult “Marcelo Zona Sul”, um libelo sobre a rebeldia juvenil, dirigido por Xavier de Oliveira. Desde então, contabilizou participações em filmes míticos, como “Rainha Diaba” (1974) e “A Gargalhada Final” (1979), tendo sido o Querô, de Plínio Marcos no thriller “Barra Pesada” (1977), de Reginaldo Faria. Mas a mítica pessoal torno de em sua persona de fanfarrão, fez com que ele custasse a ser reverenciado como um dos grandes atores do cinema brasileiro. Há dez anos, ele iluminou o Festival de Brasília como coadjuvante em “Chega de Saudade”. Depois, em 2012, roubou a cena das neochanchadas em “Os penetras”. Mas chegou a hora dos louros: “Chacrinha” é “O” trabalho de sua carreira, consagrando sua maneira despojada de atuar. Stepan é uma espécie de Peréio versão paz e amor, com um talento raro para simbolizar as angústias e as alegrias do povão.

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