‘Springville’, o melhor da HQ italiana, a Graphite

‘Springville’, o melhor da HQ italiana, a Graphite

Rodrigo Fonseca

02 de junho de 2021 | 15h00

Rodrigo Fonseca
Usina de fumetti, termo italiano para histórias em quadrinhos, a Graphite, editora fundada em Nova Iguaçu pelo arquiteto Wagner Macedo, vem oxigenando o mercado de gibis no Brasil ao trazer alguns dos títulos de maior potência gráfica (de traço) do Velho Mundo pra venda via web com destaque para uma obra-prima do faroeste chamada “Welcome to Springville”. O traço de Renzo Calegari (1933-2017) é um marco dos desenhos de western, aclamado pela excelência de seu traço dionisíaco. Ivo Milazzo também chegou a desenhar parte da epopeia de uma cidade americana no século XIX onde o colt era e Lei e o Oeste selvagem era o norte. Giancarlo Berardi assina o roteiro da aventura publicada em Itália na revista “Skorpio”, de 1977 a 79, em P&B. Em terras brasileiras, os habitantes dessa Springville de papel nos foram apresentados pela revista “Histórias do Faroeste”, a partir do seu nº. 12, em novembro de 1980. À época, a edição optou pelo chamado “formatinho”, que tornava minúsculas paisagens panorâmicas de Calegari. Mas estas ganham um novo escopo na versão da Graphite, que vão pra crowdfunding a partir deste domingo. Confere no https://loja.graphitedesign.com.br/.
“O que eu vejo de mais exuberante em ‘Welcome to Springville’ é aquela cidade, onde um médico de chapéu coco, de modos civilizados, revela-se um exímio pistoleiro numa situação em que precisa reagir. É um faroeste à moda dos anos 1950, mas com gente do dia a dia”, diz Macedo, que já publicou sete títulos italianos por aqui, como “Brad Barron” e “Nathan Never”, ambos de toada sci-fi. “A Sergio Bonelli Editore, de Milão, foi muito bacana com a gente ao nos liberar os direitos de editar Barron aqui e, a partir dele, nossa parceria seguiu”.

Macedo tem pela frente a publicação do aclamado “UT”, de Paola Barbato e Corrado Roi, seguindo um trabalho editorial que prima pela qualidade, apoiado numa parceria com a gráfica Grafitto, do RJ. “Vamos lançar o ‘Springville’ em cores numa edição de luxo, com o apoio do Catarse pro nosso financiamento. Tem desenhos fantásticos ali”, diz Macedo, que vai lançar ainda o thriller “Non ti faccio niente”, da já citada Barbato. “O romamce da Paola será o nosso primeiro livro, mas seguimos fortes nos quadrinhos”.

O traço de Renzo Calegari (1933-2017) reinventa os códigos visuais do Oeste

p.s.: Primeira realização audiovisual do Teatro Inominável, “E a Nave vai” terá sua última exibição neste sábado (05/06), às 19h, com legendas em português, no canal do YouTube do grupo (https://youtube.com/TeatroInominável). Com dramaturgia e direção de Diogo Liberano, o filme reflete sobre o descontrole que temos diante de uma paixão. O filósofo Spinoza chama de servidão essa impotência humana para regular e refrear os afetos. Nesse estado de apaixonamento, quem já não se viu tomando atitudes inusitadas ou mesmo nada saudáveis? São esses questionamentos que acompanham a história entre Mocinho e Gatão, que se conhecem e querem estar juntos, mas não pelos mesmos motivos. O ator Márcio Machado interpreta Gatão, um homem de quarenta e poucos anos com medo do passado, enquanto Gunnar Borges interpreta Mocinho, um homem com trinta e poucos anos com medo do futuro. Entre eles, porém, há um terceiro personagem interpretado por Andrêas Gato: a Nave, um automóvel com espaço interior para apenas duas pessoas e que, muitas vezes, parece enxergar aquilo que os outros dois não percebem.

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