Som ao redor de Cannes: torcida por ‘Aquarius’, doc sobre Cinema Novo e inédito de Cacá Diegues

Som ao redor de Cannes: torcida por ‘Aquarius’, doc sobre Cinema Novo e inédito de Cacá Diegues

Rodrigo Fonseca

13 de abril de 2016 | 23h46

“Aquarius” traz a musa Sonia Braga de volta às telas, sob a direção do premiado pernambucano Kléber Mendonça Filho

Velas acesas nesta madrugada por Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, e O Grande Circo Místico, de Carlos Diegues, pois na manhã DESTA QUINTA sai a lista de indicados às mostras competitivas do 69º Festival de Cannes (11 a 22 de maio). De toda a esquadra de ficções com chances potenciais de surpreender a Croisette, estes são os dois longas-metragens com maior cacife: o primeiro traz Sonia Braga no papel de uma crítica de música capaz de viajar no tempo; o segundo, segue os rastros de uma trupe circense ao longo de um século, trazendo Vincent Cassel no picadeiro. Nos documentários, a torcida é por Cinema Novo, de Eryk Rocha, com seu balanço geracional sobre a nossa modernidade audiovisual, num balanço político acerca das revoluções dos anos 1960 e das dissonâncias de 2017, com uma palavra em comum entre as duas épocas: golpe.

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‘O Grande Circo Místico’: Vincent Cassel no picadeiro de Carlos Diegues em coprodução luso-franco-brasileira

A inclusão de Eryk coroaria a memória da tradição. A seleção de Diegues para brigar pelo Palma celebraria o poder autorregnerativo desta mesma tradição. Já Kleber se lá entrar vai lapidar ainda mais aquela que talvez seja a mais consistente tendência temática de nosso cinema hoje: o chamado “classe média blues”. Ele mesmo, com seu seminal O Som ao Redor (2012), pôs a pedra fundamental nessa linhagem que exuma as sequelas da luta de classes desde a escravidão até a Era Dilma, tendo como primos Casa Grande (2014), de Felipe Gamarano Barbosa, e Que Horas Ela Volta? (2015), de Anna Muylaert. E essa nova leva vem sendo o que há de mais chamativo em nossa filmografia pelo mundo afora, com êxito de público, sobretudo, na Europa.

Tem um zumzumzum acerca da possível entrada de Eliane Caffé na Semana da Crítica ou na Quinzena dos Realizadores com Era o Hotel Cambridge. O mesmo se fala sobre Vazante, de Daniela Thomas, e sobre Curva de Rio Sujo, de Felipe Bragança.

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De mais, as apostas dadas como certas para Cannes amanhã são: The Last Face, de Sean Penn; Elle, de Paul Verhoeven; Sully, de Clint Eastwood; La Fille Inconnue, de Jean-Pierre e Luc Dardenne; Neruda, de Pablo Larraín; Slack Bay, de Bruno Dumont; Julieta, de Pedro Almodóvar; On The Milky Road, de Emir Kusturica; The Handmaiden, de Park Chan-Wook; After the Storm, de Hirokazu Kore-Eda; Jogo do Dinheiro, de Jodie Foster; Loving, de Jeff Nichols; Paterson, de Jim Jarmusch; Juste la Fin du Monde, de Xavier Dolan; Neon Demon, de Nicolas Winding Refn; American Honey, de Andrea Arnold; Fai Bei Sogni, de Marco Bellocchio; Personal Shopper, de Olivier Assayas; Family Photos, de Cristian Mungiu; Planetarium, de Rebecca Zlotowski;  Rester Vertical, de Alain Giraudie;  La Pazza Gioia, de Paolo Virzi; I, Daniel Blake, de Ken Loach, e La Femme de la Plaque Argentique, de Kiyoshi Kurosawa. Boa sorte a todos, que terão como seu abre-alas hors-concours Café Society, de Woody Allen.

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As indicações serão anunciadas por volta das 6h do horário de Brasília. O Brasil já está no páreo da Palma de curta-metragem com A Moça Que Dançou com o Diabo, de João Paulo Maria Miranda. É provável que dois deuses hollywoodianos passem pela Croisette: Martin Scorsese com Silêncio, e Steven Spielberg com O Bom Gigante Amigo. Agora só nos resta esperar.

 

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