‘Sniper’: Chad Michael Collins, um astro à vista

‘Sniper’: Chad Michael Collins, um astro à vista

Rodrigo Fonseca

04 de julho de 2020 | 10h41

O americano Chad Michael Collins vive o atirador Brandon Beckett, na franquia Sniper

Rodrigo Fonseca
Astro rei no universo dos jogos eletrônicos ao ceder sua voz à franquia de games “Call of Duty”, no papel do cruzado militar Alex, de “Modern Warfare”, o americano Chad Michael Collins tem um perfume estrelato ao redor de suas composições, brilhando nos longas da grife “O Atirador” (“Sniper”). Ela foi criada em 1993, tendo Tom Berenger como protagonista. O último tomo da cinessérie, com roteiro e produção de Oliver Thompson, inspirado nos tipos criados por Michael Frost Beckner, é “Sniper: Assassin’s End”, disponível já em várias redes de streaming. Ele pode ser visto em: Apple Store | iTunes, Google Play, Looke, Microsoft Filmes e TV (Xbox), NOW, Oi Play, PlayStation Store, SKY Play e Vivo Play. No filme, cujo título em português é “O Atirador: O Fim de Um Assassino”, Chad rouba todas as cenas, encarnando Brandon Beckett, filho e herdeiro do legado guerreiro de Thomas, papel de Tom.
Regado a adrenalina, “O Atirador: O Fim de Um Assassino” é dirigido por um ás canadense das HQs Kaare Andrews (realizador do ótimo “Altitude”), famoso por seu trabalho com o Homem-Aranha, na Marvel. Dos gibiss, ele traz um senso de ritmo que fragmenta os focos narrativos, injetando elementos visuais que driblam as amarras do realismo, pela estilização. É o caso da assassina japonesa Lady Death (Sayaka Akimoto), que lembra uma ninja e algumas heroínas dos X-Men, como Psylocke. Ela é quem deflagra a trama, ao disparar um tiro contra um investidor estrangeiro que assinaria um tratado comercial com os EUA. Como o crime é cometido em absoluto sigilo, sem que ela deixe rastros, o Serviço Secreto Americano vai atrás da única pessoa com habilidade para disparar daquela forma: o já citado Brandon Beckett (Chad Michael Collins, com retidão à la Burt Lancaster). Ele vira o principal suspeito do assassinato e é detido para interrogatório. Mas ao ser encaminhando para a detenção, ele é alvo de um atentado, conseguindo escapar. Sua única saída será contar com o apoio de seu pai, Thomas Beckett (Berenger, numa memorável performance). Num papo via zoom, Chad falou ao Estadão, via P de Pop, sobre a linha narrativa de seu vigilante bom de mira.

Brandon Beckett tem uma retidão silenciosa que lembra os samurais de Akira Kurosawa. Há alguma referência explícita dessa classe de guerreiros em sua forma de atuar?
Chad Michael Collins:
Fico feliz ao ouvir essa analogia porque existe, sim, uma conexão, pela lógica do código guerreiro, como é o bushidô dos samurais. Só que aqui há um pacto de guerra unindo Brandon e seu pai, Thomas. Mas a essência aqui é a postura reflexiva: Brandon é um soldado que sabe o valor da espera. Brandon age a partir de uma bússola moral. Ele age como se estivesse num jogo de xadrez, sabendo esperar, pensando.
Existem cenas arrebatadoras de ação no longa, que aprecem influenciadas pela relação de seu diretor, Kaare Andrews, com as HQs. Como foi rodar estas cenas?
Chad Michael Collins:
Eu pratico esportes há anos, o que me dá condicionamento físico. E eu contracenei nas cenas de luta com Sayaka Akimoto, que faz Lady Death, como se estivéssemos em uma dança, pela trabalho de coreografia. Kaare enquadra certas tomadas com três pessoas em cena aproveitando o ponto de vista de cada uma, como se faz nos quadrinhos. Mas, neste caso, o mérito deve ir para Brett Chan, que faz nossa coordenação de dublês. O trabalho dele é impecável na construção das cenas de ação. Chan tem experiência vasta.
Há muita adrenalina em “O Atirador: O Fim de Um Assassino”, mas há amor em foco, no modo como o filme disseca a relação entre os Becketts. Como é a visão de família no longa?
Chad Michael Collins:
A ausência de toque e a inabilidade de ambos com as palavras é um ponto central. Os dois compartilham de um passado de perdas e de erros, com situações que não deram certo. Mas há laços de guerra que aproximam os dois, além do amor pai e filho. É o que leva Brandon a recorrer a Thomas.
A franquia “Atirador”/ “Sniper” parece buscar um novo tipo de heroísmo. Qual seria?
Chad Michael Collins:
Uma mistura de John Woo com “John Wick”, numa certa medida, e uma certa percepção do código de ética que existe na espera. É um filme sintonizado com toda a tradição dos anos 1980, de Stallone, mas com seu próprio caminho.
Você também é fã de HQs. Que quadrinhos mais te arrebatam?
Chad Michael Collins:
Adoro o Justiceiro e gosto muito do “Preacher”, de Garth Ennis.
Quais são seus próximos passos na carreira?
Chad Michael Collins:
Estou na torcida por mais um “Sniper” e estou aguardando a pandemia acabar para saber o que será feitos dos meus próximos projetos, de série e de filme. Fomos todos postos em um recesso forçado.

p.s.: Sylvester Stallone prepara uma versão director’s cut de um de seus maiores sucessos: “Rocky IV” (1985), que arrecadou US$ 300 milhões ao narra a peleja entre o Garanhão Italiano e o pugilista russo Ivan Drago, vivido por Dolph Lundgren.

p.s.2: Nesta madrugada, às 2h, a TV Globo (e o Globoplay) exibem a delicada versão de Jayme Monjardim para “O Tempo e o Vento”, lançada em 2013, tendo Thiago Lacerda como Capitão Rodrigo.

p.s.3: A melhor aposta cinematográfica da TV aberta rola neste domingo, com “King Kong”, de Peter Jackson, na Globo, às 15h30, coroando a exuberância do realizador de “O Senhor dos Anéis” com uma poética releitura de um marco das telas.

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