‘Skin’ tira o escalpo de Jamie Bell

‘Skin’ tira o escalpo de Jamie Bell

Rodrigo Fonseca

22 de julho de 2019 | 08h35

RODRIGO FONSECA
Ainda em cartaz no Brasil e em muitos países como o compositor Bernie Taupin, na doce biopic “Rocketman”, o inglês Jamie Bell volta esta semana às telas dos EUA numa voltagem dramática que seus saltos, em “Billy Elliot” (2000), não eram capazes de alcançar. Revelado como o aspirante a bailarino confrontado pelo preconceito de um Reino Unido homofóbico, Bell vai levar o público americano por uma jornada de purgação existencial e moral em “Skin”. Exibido na Berlinale e no Festival de Toronto, este drama baseado em fatos reais, dirigido pelo israelense Guy Nattiv (de “Mabul”), foi um dos títulos de desenho formal mais possante, em critérios estéticos e éticos, a seleção de Tribeca, em NY, am abril. Seu protagonista é um supremacista branco, tatuado dos pés à cabeça, que cansou do ódio. Vale lembrar que o projeto é derivado do curta homônimo que deu um Oscar a Nativ em fevereiro.
“Durante o processo de composição de personagem, o desafio não era ser assustador e sim construir uma figura sonâmbula, na letargia de uma intolerância que nos deixa sonolentos”, disse Bell ao Estadão P de Pop. “O silêncio é um parceiro nessa construção”.

 

Seu trabalho foi inspirado por um documentário sobre Bryon Widner, um ex-presidiário, hoje um pesquisador universitário, que ajudou o FBI a acabar com células neonazistas. Na ficção, Nattiv surpreende, à direção, pelo modo no qual sua montagem, avessa a clichês, embaralha tempos narrativos distintos. É nítida, nas várias etapas da trajetória de redenção de Widner (Bell, luminoso), sua aversão aos crimes da família de racistas que o criou. Há um desejo de reintegração latente nele, que se amplia depois de seu encontro (apaixonado) com uma mãe solteira (a excepcional Danielle Macdonald, de “Patty Cake). “Skin” pode (e deve) ser uma aposta para o Oscar 2019.

p.s.: Veneza anunciou nesta segunda seu título de encerramento: “The Burnt Orange Heresy”, com o eterno Rolling Stone Mick Jagger no elenco. Na trama, o personagem de Jagger, um malfeitor com fetiche pelo mundo das artes plásticas, convence um crítico de poucos escrúpulos (Claes Bang) a roubar o estúdio de um veterano ás das Belas Artes, vivido por Donald Sutherland. Os concorrentes ao Leão de Ouro serão anunciados nesta quinta. Caberá à diretora argentina Lucrecia Martel ser a presidente do júri veneziano, que terá como longa de abertura o esperado “A verdade” (“La Vérité”), de Hirokazu Koreeda.

p.s.2: Terminou ontem a edição carioca do 27º Anima Mundi, com a vitória do filme português “Tio Tomás – A contabilidade dos dias”, de Regina Pessoa. De um detalhismo milimétrico na representação da rotina de um absorto contador e do dia a dia de travessuras de sua sobrinha, este ensaio lusitano sobre o processo de falência existencial carrega todo o lirismo que fez da diretora de “A noite” (1999) uma das maiores animadoras da Europa. Conquistou o Prêmio do Júri do Festival de Annecy, na França, a maior vitrine da animação mundial. Este ano, em SP, o Anima vai de 24 a 28 de julho, no Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 – Bela Vista), no Petra Belas Artes (R. da Consolação, 2423 – Consolação), no IMS Paulista (Av. Paulista, 2424 – Consolação) e no Auditório Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral – Vila Mariana).

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