‘Siete Perros’, o novo acerto do cinema argentino

‘Siete Perros’, o novo acerto do cinema argentino

Rodrigo Fonseca

30 de novembro de 2021 | 22h50

Ernesto, vivido por Luis Machín, encontra em seus cães um amparo contra sua solidão no longa do argentino Rodrigo Guerrero

RODRIGO FONSECA
À espera de filmes inéditos de Lucrecia Martel (“Chocobar”), Damian Szifron (“Misanthrope”), Lucía Puenzo (“Loosing Clementine”), Daniel Burman (“Iosi, el espía arrepentido”) e Santiago Mitre (“Argentina, 1985”), a Argentina guardou para os 45 minutos do segundo tempo da temporada 2021 dos grandes festivais de cinema um trunfo para surpreender o Egito… e, a partir dele, toda a cinefilia: “Siete Perros”. Um dos quatro candidatos latino-americanos ao troféu Pirâmide de Ouro (ao lado dos mexicanos “El Hoyo En La Cerca” e “Reze Pelas Mulheres Roubadas” e do íbero-colombiano “Eles Transportan a Morte”), o delicado drama dirigido por Rodrigo Guerrero dispara como favorito a prêmios na competição oficial do Festival do Cairo nº 43, que termina no domingo. Entre as categorias nas quais ele tem mais e melhor chance, destaca-se o concurso pelo prêmio de melhor interpretação, onde Luis Machín ofusca quem se arvora a concorrer com ele – até agora.
“O trabalho de Luis é o coração do filme”, disse Guerrero num bate-papo com a plateia do Cairo, ao fim da projeção de seu comovente longa-metragem.
“Siete Perros” tem um título que já sintetiza sua trama: o aposentado Ernesto (Machín) vive em um apartamento, em Córdoba, com sete cãezinhos, que trata como se fossem sua família, para o desespero de seus vizinhos, interessados em sumir com os bichos. Paula Lussi, atriz que fez filmes anteriores de Guerrero (como “Venezia” e “El invierno de los raros”), é a autora do roteiro, que explora o cotidiano sofrido de Ernesto, em sua peleja com hemodiálises e o curto soldo com que sustenta seus pets. Ela também atua, encarnando a filha do protagonista, que sofre com a hostilidade dos demais moradores contra seus cachorros.
“A gente não se centrou tanto em Córdoba, preferindo mais valorizar o microcosmos daquele edifício. É como se houvesse uma microssociedade ali, com regras próprias”, disse Guerrero ao Estadão. “Ernesto aparece pra nós como um personagem solitário, fechado e mal-humorado, que precisa passar por uma travessia afetiva para sair de si mesmo”.
Pelo que se viu até agora, os mais potentes adversários de Guerrero são a comédia alemã “Daughters” (“Töchter”), de Nana Neul; e a prata da casa, a dramédia egípcia “Abu Saddam”, de Nadine Khan.

p.s.: Amigos de infância, os atores Thati Lopes (de Porta dos Fundos e do filme “Socorro! Virei uma garota”) e Pedro Henrique Lopes (das novelas “Verão 90”, “Êta Mundo Bom” e do projeto Grandes Músicos para Pequenos) apresentam, a partir desta terça-feira (30/11), a pré-estreia do curta-metragem musical “Um Casal Normal (Sem pai nem mãe)”. Com humor, a obra propõe uma reflexão sobre os estereótipos de gênero na sociedade. Com direção de Diego Morais e roteiro de Pedro Henrique Lopes, o curta brinca com as funções de um homem e de uma mulher dentro de casa e da relação. Os ingressos gratuitos podem ser retirados pelo Sympla até o dia 30/12 (https://linktr.ee/umcasalnormal).

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