‘Sicário’ comprova sua vitalidade como franquia

‘Sicário’ comprova sua vitalidade como franquia

Rodrigo Fonseca

01 Julho 2018 | 13h57

Rodrigo Fonseca
Hollwood tomou um susto com o bom desempenho de “Sicário: Dia do Soldado”, que custou US$ 35 milhões. Sua bilheteria de arrancada foi de US$ 27,4 milhões, consolidando a potência de uma marca que pode revitalizar o lugar dos filmes de ação no circuito. Estamos diante de um “filme de ação político”, que driblou a referência a “Traffic”, de Steven Soderbergh, com que sempre foi comparado.
Gênero soberano da estética comercial americana dos anos 1980, o cinema de ação foi condenado ao limbo nos anos 1990, sob a foice do politicamente correto, o que gerou a queda de seus ícones como Van Damme e Steven Seagal e conversou de um de seus mitos, Schwarzenegger, em político – hoje sem cargo. Como veio do drama, como Rocky Balboa, Sylvester Stallone conseguiu se reinventar por outras vias e criar uma franquia quase vintage para o filão: “The Expendables” (ou, por aqui, “Os Mercenários”). Apareceu para os filmes de ação uma saída pelas veredas do humor: Will Smith e Jackie Chan transformaram o heroísmo em chanchada, em filmes policiais de tintas cômicas. Mas a necessidade de se expurgar os males governamentais que adoecem o mundo nas mais diferentes latitudes, fez com que o cinema de ação encontrasse na linha política uma forma de escoar sua estética. Eis onde entra a grife “Sicário”, fortalecida agora por um segundo longa-metragem tão bom quanto o projeto que o originou.

Del Toro volta ao papel do justiceiro dos cartéis

Orçado em US$ 30 milhões, “Sicário” (2015) foi concebido como um atestado de talento para Hollywood checar se o cineasta canadense Denis Villeneuve estava apto, ou não, a pilotar projetos de peso, como os irretocáveis “A chegada” (2016) e “Blade Runner 2049” (2017). Porém, o que surgiu só como um teste, rendeu frutos impensáveis: uma bilheteria de US$ 84 milhões, três indicações ao Oscar e uma vaga na disputa pela Palma de Ouro de Cannes. Havia um certo medo, em sua estreia, de que ele não passasse de um decalque de “Traffic” (2000), de Steven Soderbergh. Mas sua reflexão criminal vai por outro caminho, mais próximo dos thrillers de Costa-Gavras dos anos 70 e 80.
Do somatório dos variados dividendos do primeiro “Sicário”, nasceu uma franquia. A parte dois – “Dia do soldado” -, pilotada pelo italiano Stefano Sollima (das séries de TV “Romanzo criminale” e “Gomorra”), é tão engenhosa narrativamente quanto o original. A manutenção de Taylor Sheridan (um dos maiores roteiristas dos EUA hoje), no comando do script, preservou o vigor do nº1. Perde-se um pouco na troca de fotógrafo (sai o mago Roger Deakins; entra Dariusz Wolski, mais seco), mas as cenas de ação seguem tensas, dirigidas com virtuosismo. Há, agora, mais humanidade no agente Matt (Josh Brolin, contagiante), operativo da CIA que manipula quem pode a fim de combater os cartéis do México. Benicio Del Toro segue monumental na pele de Alejandro, um vingador por quem Matt tem respeito. Sollima dá ao longa-metragem tons de espetáculo, mas mantém o tônus trágico – e político – do filme anterior sobre a chaga do narcotráfico.
No Brasil, Jorge Vasconcellos dublou Benicio.