‘Sibyl’ chegou às telas… enfim

‘Sibyl’ chegou às telas… enfim

Rodrigo Fonseca

08 de julho de 2021 | 15h33

Virginie Efira estrela “Sibyl”, indicado à Palma de Ouro de 2019

Rodrigo Fonseca
Custou, mas “Sibyl” enfim chegou. Neste momento em que sua estrela, Virginie Efira, está a um passo de enlouquecer Cannes à frente de “Benedetta”, o longa-metragem de Justine Triet entra em cartaz nas salas brasileiras, retratando a rotina de confusões afetivas da psicanalista que dá título e alma ao longa.
“É um filme onde a palavra não é protagonista, deixando a câmera nos conduzir, explorando as angústias femininas”, disse Justine ao Estadão durante o Rendez-Vous Avec Le Cinéma Français de 2020 – um fórum dedicado a promover a produção feita em Paris, Marselha, Nice e seus arredores. “Gosto de personagens que me permitam desafiar a moral e encarar a pasmaceira das fórmulas narrativas”.
Há poucos dias de o Festival de Cannes de 2019 começar, a Bíblia da cinefilia, a “Cahiers du Cinéma”, publicou uma edição com suas três apostas centrais para o evento. Nela, listou Pedro Almodóvar com seu monumental “Dor e Glória”; o coreano Bong Joon-ho (ou Bong Joon Ho), que ganhou a Palma de Ouro, com “Parasita”; e uma diretora francesa, hoje com 42 anos, a quem a crítica europeia encara como um sopro de renovação: era Justine. Ela estava no páreo com o finíssimo “Sibyl”, que fez muito espectador cannoise se esbaldar com humor, erotismo (sem grosserias) e desconstruções da psicanálise. Além de ter vendido 125 mil ingressos só em seu primeiro fim de semana, em sua pátria. E não há como não se esbaldar no talento de Virginie, “a” estrela da França no momento.
“Sou fã de séries… como todo mundo é… mas o que eu tento levar ao cinema é algo que se atenha menos ao diálogo e mais à potência trágica da imagem”, disse Justine ao P de Pop. “A partir dos códigos da Psicologia, eu tento cartografar o procedimento dos analistas por um prisma afetivo, ao discutir o fato de que eles operam como receptáculos das angústias da vida alheia. Raras vezes a gente se pergunta o quanto de angústia pessoal esses próprios receptáculos não retêm, no empenho de ajudar o próximo. O quanto existe angústia em quem nos ouve”.

Premiado no Festival de Sevilha, na Espanha, com a láurea de melhor filme, “Sibyl” gravita com elegância do trágico ao hilário no papel de uma terapeuta às voltas com uma paciente com os nervos em frangalhos: uma atriz (Adèle Exarchopoulos, de “Azul é a cor mais quente”) cujo namorado traiu sua confiança. Sibyl (Efira) precisa atender a moça no meio de um set de filmagem comandado por uma diretora enervada (a alemã Sandra Hüller, de “Toni Erdmann”) onde tudo ameaça dar errado. Inclusive a psicóloga. Indicada à Palma de Ouro, a produção é o trabalho de maturidade da realizadora de “Na cama com Victoria” (2016).

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