Sergeï Loznitsa nas galerias do Pompidou

Sergeï Loznitsa nas galerias do Pompidou

Rodrigo Fonseca

02 de janeiro de 2020 | 12h45

O diretor bielorrusso Sergeï Loznitsa em foto no Festival de Marrakech – @Rodrigo Fonseca/ Divulgação

Rodrigo Fonseca
Prestes a filmar uma nova ficção, de novo centrada nos bastidores soviéticos da II Guerra Mundial (assunto de seu aclamado “Na Neblina”), o diretor bielorrusso Sergeï Loznitsa tem um compromisso com a França agendado de 8 de janeiro a 8 de março: ele vai a Paris, falar sobre sua obra no Centre Pompidou. Na próxima quarta, o espaço dedicado à arte contemporânea vai promover uma exposição dos filmes (e das ideias) do realizador eslavo, conectando-se a seu trabalho documental e a seus longas de ficção. A retrospectiva faz parte do circuito de promoção internacional de seu trabalho mais recente, “State Funeral”, lançado no Festival de Veneza. Dono de uma verve documental autoralíssima (sobretudo em seu uso de imagens de arquivo), marcada por estudos sobre a paisagem e a população russa, com filmes como “Vida, Outono” (1998), “Estação de trem” (2000), e “Retrato” (2002), Loznitsa revisita, nesse longa, imagens do enterro de Stalin, em 1953 – a maioria delas desconhecida.
“Existe uma encenação espetaculosa por trás desse ritual fúnebre que me permite abrir um debate sobre mitificação como estratégia política para perenizar líderes”, disse Loznitsa ao P de Pop no Festival de Marrakech, no Marrocos, onde antecipou detalhes de seu novo longa: “Babijar”. “Nele, vou recriar, usando imagens documentais, um episódio antissemita da URSS que levou dezenas de judeus à morte, em paralelo à Segunda Guerra”.

Cena de “State Funeral”, documentário que revisita imagens do enterro de Stalin, em 1953

Loznitsa ficou conhecido no Brasil após a estreia de “Minha alegria” (“My Joy”, 2010) e do esforço de seu amigo pernambucano, o aclamado diretor Kleber Mendonça Filho (“Aquarius”, “Bacurau”), que abriu as portas de seu festival, a Janela do Recife, para Sergeï. Parte das pesquisas visuais desse matemático que estudou cinema em meio à queda da URSS vão ser o cerne da mostra do Pompidou, hoje debruçado sobre a afetiva carreira de Richard Linklater (“Boyhood”, “Antes do amanhecer”). Este, um texano de 59 anos, pode ter seu mais recente trabalho, o musical “Merrily We Roll Along”, lançado na disputa pelo Urso de Ouro da 70ª Berlinale (20 de fevereiro a 1º de março). É o que se fala por Paris, onde o Pompidou ferve.

p.s.: No dia 7 de janeiro, o Espaço Itaú do Rio de Janeiro, em Botafogo, em parceria com a Cinemateca do MAM-RJ, sob a curadoria de Ricardo Cota, promove uma projeção de “Rio 40 Graus” (1955), de Nelson Pereira dos Santos, com apresentação de Cacá Diegues. O produtor e fotógrafo Luiz Carlos Barreto e o poeta Geraldo Carneiro comentam o cult que pavimentou a estrada dos tijolos amarelos por onde o Cinema Novo sonhou uma nova representação de Brasil. José Quental, do MAM, assume a mediação.

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