Se eu fosse você, via ‘Freaky’

Se eu fosse você, via ‘Freaky’

Rodrigo Fonseca

11 de dezembro de 2020 | 14h19

Rodrigo Fonseca
Mesmo com o fechamento generalizado de salas, “Freaky: No Corpo de um Assassino”, produção de US$ 6 milhões já em cartaz no Brasil, virou um dos fenômenos populares da bilheteria americana neste 2020 de pandemia. Faturou US$ 13 milhões mesmo com uma restrição de circuito, fazendo jus à vocação para filmes de terror de tempos de crise financeira. Trata-se de uma mescla de slasher movie, comédia e filme teen, apoiada no domínio (absurdo) que seu realizador, o californiano Christopher Landon, tem das cartilhas do horror, vide a franquia “A Morte Te Dá Parabéns” (2017-19). Filho de Michael Landon (1936-1991), o Liitle Joe de “Bonanza”, ele virou um ímã de bilheterias fartas em sua representação de personagens ligado a algum grau de orfandade. E há sempre um debate contra a homofobia em seus longas-metragens, conectados à reflexão de sua orientação homoafetiva. Neste novo filme, que escreveu em parceria com Michael Kennedy, o cineasta conta com uma jovem atriz de carisma GG, Kathryn Newton (a Abigail de “Big Little Lies”), no papel de uma estudante às voltas com um psicopata. Mas seu maior trunfo – fora sua cuidadosa relação com o colorido, na fotografia – é o talento de Vince Vaughn no papel do Jason de botequim Butcher, por aqui O Açougueiro de Blissfiled. Na trama, esse assassino (dublado aqui pelo dínamo da voz Alexandre Moreno) assassina quem cruza seu caminho usando lâminas diversas. Após um massacre em que utiliza uma garrafa como arma, ele rouba uma adaga de rituais de origem indígena asteca, chamada La Dola. Ao ferir Millie com esse fetiche de civilizações ancestrais das Américas, ele troca de consciência com a moça, tipo o que rola entre Glória Pires e Tony Ramos em “Se Eu Fosse Você” (2005). De corpo novo, parecendo uma adolescente, ele vai matar quem puder na escola da jovem. Esta, usando o corpanzil do ferrabrás, tem apenas 24 horas para desfazer o feitiço que amalgamou os dois. Exibido no Festival de Stiges, na Espanha, o longa se impõe como uma das gratas surpresas do ano, consagrando Landon como um perito em narrativas horroríficas. Merece destaque a presença de Alan Ruck, o Cameron de “Curtindo a Vida Adoidado” (1986), no papel de um professor sem nenhum tato com Millie.

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