Saudades de Grande Otelo na Quinzena de Cannes

Saudades de Grande Otelo na Quinzena de Cannes

Rodrigo Fonseca

25 Maio 2017 | 21h53

Nada de preguiça com “Macunaíma” na Croisette: filme é homenageado em reclame publicitário da Quinzena dos Realizadores

RODRIGO FONSECA
Termina nesta sexta a edição 2017 da Quinzena dos Realizadores em Cannes, tendo como filme de encerramento um gostinho de Brasil, com Patti Cake$, de Geremy Jasper. Ovacionada em Sundance, em janeiro este drama feito numa parceria EUA-Brasil, com um dedo e muitas ideias do produtor Rodrigo Teixeira (de Alemão, Tim Maia), acompanha a trajetória da jovem Patti (vivida por Danielle Macdonald) para se firmar no mundo do hip hop. Quem já viu aposta na menina como uma potencial concorrente ao Oscar de melhor atriz de 2018. Mas a questão que mais vai contar no fecho da Quinzena é a experiência de podermos ver, pela última vez, a imagem do cult cinemanovista nacional Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, na telona da seção. Todos os dias, eles fazem um apanhado de suas revelações, indo de Jim Jarmusch a Damien Chazelle. E nós entramos lá, com um still de Grande Otelo no longa que vendeu quase dois milhões de ingressos por aqui e venceu o Festival de Mar Del Plata, em 1970, tendo passado pela Croisette no fim dos anos 1960. Essa menção cannoise é uma homenagem a um de nosso mais vigorosos realizadores, cuja obra merece uma revisão.

“Gabriel e a Montanha”: duplo prêmio no desfecho da Semana da Crítica

Falando de cinema brasileiro por aqui… Gabriel e a Montanha saiu coroado com um par de prêmios da Semana da Crítica, colocando seu diretor, Fellipe Gamarano Barbosa, onde ele já merecia desde Casa Grande (2014): entre os nomes mais sólidos de nosso audiovisual na peleja pela internacionalização de nossos filmes. E João Pedro Zappa, seu ator, firma-se ali como um intérprete de respeito aos olhos da Europa, que o aplaudiram e destacaram – muito – a fotografia de Pedro Sotero. Vitória histórica neste septuagésimo ano de Cannes, que viu hoje, em competição, o soberbo Good Time, dos irmãos Josh e Benny Safdie. À espera por um novo Drive (2011) há anos, o festival enfim encontrou o que queria num thriller criminal sobre um ladrão de banco capaz de tudo pelo irmão. Robert Pattinson deixa A Saga Crepúsculo para trás dando o melhor de si.