Saudades de Glauber comovem o Festival do Rio

Saudades de Glauber comovem o Festival do Rio

Rodrigo Fonseca

06 Outubro 2015 | 18h24

Geneton Moraes Neto dá instruções ao ator Paulo César Peréio em

Geneton Moraes Neto dá instruções ao ator Paulo César Peréio em “Cordilheiras do Mar”

Ainda sob o batuque de um filme memorável, o pernambucano Boi Neon, a Première Brasil do Festival do Rio 2015 está num momento de prazer com o cinema de ficção, vitaminado ontem pelo adocicado Califórnia, de Marina Person. Mas o terreno documental da maratona cinéfila carioca também anda bem resguardado, sobretudo depois do banho de descarrego de sais glauberianos que o evento tomou após a sessão de Cordilheiras do Mar: A Fúria do Fogo Bárbaro. Com direção do jornalista e escritor Geneton Moraes Neto, o longa-metragem mexeu com os brios do Cine Odeon, na tarde desta terça-feira, tendo arrancado lágrimas e aplausos com o calor da catarse política. Numa estrutura narrativa de almanaque, com dança, música, vinhetas animadas, imagens de arquivo e ricos depoimentos, a produção revive o momento da vida do cineasta Glauber Rocha (1939-1981), em meio á ditadura, no qual ele propôs uma aproximação das instâncias da cultura brasileira com os militares.

Cláudio Jaborandy revive escritos célebres de Glauber Rocha

Cláudio Jaborandy revive escritos célebres de Glauber Rocha

Mais do que uma investigação histórica, o filme de Geneton promove uma revisão crítica da obra do cineasta, a partir de sua invenção estética e de sua ideologia revolucionária. A partir da filmografia de Glauber, o longa revive um período onde a esperança foi o combustível da arte nacional. Atores como Claudio Jaborandy e Paulo César Perério interagem com as reflexões documentais, recitando textos de época, embalados numa montagem de alta voltagem.

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