San Sebastián: Marion Cotillard vive Cleópatra

San Sebastián: Marion Cotillard vive Cleópatra

Rodrigo Fonseca

24 de agosto de 2021 | 15h36

RODRIGO FONSECA
Afinada com o prestígio internacional de “Annette”, musical responsável por consagrar Leos Carax (enfim!) com o prêmio de melhor direção em Cannes, em julho, a escolha da super atriz francesa Marion Cotillard para receber o troféu Donostia, na abertura do 69º Festival de San Sebastián, no norte da Espanha, no dia 17 de setembro, atrai holofotes para o que se candidata ao posto de maior bilheteria europeia deste ano… ou de 2022: a aventura “Astérix & Obélix: L’Empire du Milieu”. O mais provável é essa nova adaptação do universo quadrinístico de René Goscinny (1926-1977) e Albert Uderzo (1927-2020) só ficar pronto no ano que vem, tendo Marion como Cleópatra. A direção é de um campeão da França na venda de ingressos, o ator e realizador Guillaume Canet, marido da atriz. O próprio Canet será Astérix. Gilles Lellouche, também galã, diretor e ás de arrecadações milionárias (vide “Um Banho de Vida”), vai ser Astérix. César foi confiado a Vincent Cassel. A química entre Marion e Canet, na telona, é das mais poderosas, como prova a parceria deles em fenômenos de faturamento como o díptico “Até a Eternidade” (“Les petits mouchoirs”, 2010) e “Estaremos Sempre Juntos” (“Nous finirons ensemble”, 2018), visto por 5,3 milhões de pagantes e 2,7 milhões de espectadores respectivamente.
“Era menina ainda quando participei de um teatrinho escolar e chamei a atenção das pessoas, ao viver uma mulher mais velha. O prazer de ser observada num papel que não era eu fez com que eu tivesse a certeza do que escolher no futuro”, disse Marion ao P de Pop no 18º Festival de Marrakech, no Marrocos, onde foi dar uma masterclass, revivendo o sucesso alcançado ao ganhar o Oscar com “Piaf – Um Hino ao Amor”, em 2008. “Às vezes eu vejo pessoas com fotos de seus artistas preferidos na capa de seus celulares e me emociono com o quanto o cinema é capaz de tocá-las. Outro dia vi alguém com ‘Rocky, Um Lutador’ na capa do telefone. Adoro Stallone e fico pensando como é genuína essa cinefilia”.

Após 45 anos, Maion tem dois filhos com Canet: Louise, de 4 aninhos, e Marcel, de 10. “Minha visão sobre o companheirismo que tenho Guillaume é de um lugar de confiança, Quando ele me dirige, eu consigo me escutar melhor, saber onde estou fora de tom, encontrar equilíbrio. E tive que aprender a equilibrar meu tempo também com as crianças, que sabem ser pacientes quando estou em um trabalho novo”.

Guillaume Canet e Gilles Lellouche em “Astérix & Obélix: L’Empire du Milieu”

Agendado para estrear no Brasil dia 26 de novembro, via MUBI, “Annette” vendeu 250 mil ingressos na França à força das experimentações visuais de Carax e do carisma entre Marion (no papel de uma cantora de ópera) e Adam Driver, memorável ao interpretar um humorista de stand-up de caráter duvidoso. Os dois têm uma filha dotada de poderes. Mas o que move a trama é a ruindade que o comediante é capaz de fazer, mordido de inveja do êxito da mulher em sua carreira. “Todas as vezes em que ponho diante de uma câmera para filmar, eu sinto um voo de borboletas no meu estômago, num sinal de atenção e respeito”, disse a estrela, que leva a San Sebastián um documentário ambiental que produziu: “Bigger Than Us”, de Flore Vasseur.
Fora a honraria concedida a Marion, Sab Sebastián atraiu as atenções da mídia ao anunciar um par de pesos pesados para sua seleção de filmes: “The French Dispatch”, de Wes Anderson, e “The Power of the Dog”, que rendeu a Jane Campion uma indicação ao Leão de Ouro do Festival de Veneza, agendado de 1º a 11 de setembro.

p.s.: Com 25 anos de atuação como assessora de imprensa na área cultural, Adriana Balsanelli aventura-se no universo da literatura infantil e lança seu primeiro livro: “A Galinha Bira-bira”, pela editora Flamingo. A obra ganhou belas ilustrações de Marco Martins e já está disponível em pré-venda online. Inspirada na infância que Adriana teve no interior de São Paulo, a história trata de um pintinho que é encontrado no meio da chuva por uma menina no quintal do sítio da família. Ela leva o bichinho para dentro da casa, o enrola em um paninho e o deixa perto do fogão a lenha para que ele possa se aquecer. Por um incidente, o pintinho vai parar na chapa quente do fogão e acaba perdendo os dedinhos da patinha. Depois do susto, a menina cuida bem do animal e a família acaba adotando-o. O nome escolhido para ele foi Biro-biro, xará do icônico jogador de futebol.

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