San Sebastián coroa o rei Viggo Mortensen

San Sebastián coroa o rei Viggo Mortensen

Rodrigo Fonseca

22 de junho de 2020 | 15h52

Rodrigo Fonseca
Numa acertadíssima decisão, reverente a uma das mais exuberantes carreiras do cinema internacional nas últimas duas décadas, o Festival de San Sebastián, em sua 68ª edição, agendada de 18 a 28 de setembro, vai conceder o Prêmio Donostia, sua láurea honorária, ao americano Viggo Peter Mortensen Jr., que, aos 61 anos, estreia na direção com o drama “Falling”. Lançada em Sundance em janeiro, e referendada com o selo de Cannes, o longa-metragem será exibido na maratona espanhola em tributo ao astro e, agora, também realizador, que assina o roteiro da produção. Sua trama narra a lavação de roupas sujas de homofobia entre John (Viggo), assumidamente homossexual, e Willis, seu velho intolerante pai, que é forçado a viver com seu rebento, por questões econômicas. Racista e indiferente à equidade de gêneros, Willis é encarnado pelo genial Lance Henriksen, o xerife Frank da série “Millennium” (derivada de “Arquivo X”. Laura Linney está no elenco também, assim como cineasta canadense David Cronenberg, que deu ao VG alguns de seus melhores papéis, começando por “Marcas da Violência” (2005).

Indicado ao Oscar de melhor ator por “Senhores do Crime” (2007), “Capitão Fantástico” (2016) e “Green Book” (2019), Viggo fez fama interpretando Aragorn guerreiro multiclasse criado por John Ronald Reuel Tolkien em “O Senhor dos Anéis”, na trilogia de filmes rodada por Peter Jackson e lançada de 2001 a 2003. Poliglota, hábil em sete idiomas, Mortensen tem ascendência dinamarquesa e passou parte da juventude nos Pampas, na Venezuela e na Argentina. Filmou com o carioca Vicente Amorim, à frente de “Um Homem Bom” (“Good”), de 2008, e participou de “On The Road” (2012), o filme mais subestimado de Walter Salles, como Old Bull Lee. Filmou ainda com uma dupla de cineastas da Argentina: Ana Piterbarg (“Todos Temos um Plano”) e Lisando Alonso (“Jauja”). Foi dirigido ainda por Peter Weir (“A Testemunha”), Tonny Scott (“Maré Vermelha”) e Ed Harris (“Appaloosa”) Brian De Palma (“O Pagamento Final”). Contracenou com o mítico Sylvester Stallone em “Daylight” (1996), que teve o paulista André Ristum na equipe. Um de seus melhores trabalhos nesta década, “Longe dos Homens” (2014), de David Oelhoffen, inédito nos cinemas do Brasil, acaba de ser lançado aqui via streaming, na Amazon Prime.

p.s: O DocLisboa vai celebra, de 22 de Outubro a 1º de novembro, os cem anos do cinema da Georgia, com destaque para a obra de artistas das telas como Otar Iosseliani e Lana Gogoberidze.

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