Rosa de Carlos Saura perfuma San Sebastián

Rosa de Carlos Saura perfuma San Sebastián

Rodrigo Fonseca

18 de setembro de 2021 | 18h49

O cineasta espanhol em foto de @Jorge Fuembuena

Rodrigo Fonseca
Sempre atento a realizadores veteranos cujo histórico de glórias já não diz muito às gerações alfabetizadas via YouTube, o Festival de San Sebastián, no norte da Espanha, iniciou sua 69ª edição, na sexta, homenageando aquele que, em décadas anteriores à aparição de Pedro Almodóvar, foi o maior realizador ibérico: Carlos Saura. Hoje com 89 anos, o realizador de joias como “Cria Cuervos” (1976) regressa às telas com “Rosa Rosae. La Guerra Civil”, cum curta-metragem sobre crianças maculadas por conflitos armados, calcada em uma canção de José Antonio Labordeta, em fotografias de arquivo e em desenhos assinados pelo próprio diretor. É um .doc poético antibelicista. Neste sábado, Saura passou o dia andando pela cidade, passeando nas cercanias do Kursaal, complexo de salas e auditório que serve de centro nervoso ao evento. Já faz tempo que ele não realiza ficções, sobretudo uma do porte de “Mamãe faz 100 anos” (1979), preferindo se dedicar às estratégias da não ficção.
“Nunca fui um diretor conectado com contos de fadas, pois sempre preferi explorar o real, com toda sua complexidade, pautada pelo desejo. A fantasia que cabe nos filmes que faço é a transição entre o presente e o passado”, disse Saura ao P de Pop, em entrevista de 2016 na Espanha, às vésperas do Festival de San Sebastián. “Nunca me afastei do apuro técnico típico da ficção mesmo nos tempos em que fiquei dedicado apenas a documentários: os meus sempre tiveram cenografia e uma engenharia fotográfica que buscasse requinte. A realidade comporta em si algo de fabular ao gerar memória: algo bem próximo da ilusão”.
San Sebastián segue a mil até o dia 25. Neste domingo, o evento confere, diretamente de Cannes, o polêmico “Benedetta”, de Paul Verhoeven, sobre uma freira milagreira às voltas com uma paixão por outra mulher. Até o momento, pelo que já se mostrou à imprensa especializada, o grande concorrente à Concha de Ouro é “Arthur Rambo”, do francês Laurent Cantet, que promove um estudo sobre a cultura do cancelamento, retratada no ambiente do mercado editorial.

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