Rosa das Filipinas em Cannes

Rosa das Filipinas em Cannes

Rodrigo Fonseca

22 de maio de 2016 | 14h05

Ma'Rosa 13

Algo de trágico ligado às contradições sociais asiáticas tem dado ao cinema das Filipinas uma energia cinematográfica que parece inesgotável, a julgar pela boa forma de Ma’Rosa, espécie de favela movie que trouxe o diretor Brillante Mendoza à cerimônia de premiação do 69° Festival de Cannes, encerrado neste dia 22, na França. Antes dele, no início do ano, seu conterrâneo Lav Diaz já havia brilhado no 66° Festival de Berlim ao ter recebido o Troféu Alfred Bauer por A Lullaby to the Sorrowful Mystery. Mas se Diaz encarna o misticismo e a contemplação, Mendoza incorpora a urgência das ruas, traduzindo a exclusão a partir de narrativas ágeis e brutais como as de Serbis (2008) e Kinatay (2009), pela qual ele ganhou o prêmio de direção na Croisette. Em seu novo e “carregado” longa-metragem a impactar as telas cannoises, Mendoza acompanha o drama de uma família de Manila, chefiada por Rosa (Jaclyn Jose) e Nestor (Julio Diaz), cuja quitandinha é fachada para o verdadeiro produto vendido pelo casal: metanfetamina. Mas uma operação policial, com um pé na corrupção, vai levar os dois à prisão. Mas o resto de seu clã vai agir como puder para tentar ajudar a dupla, abrindo precedentes para o retrato cru de um mundo assombrado pela violência.

“Soube dessa história há uns quatro anos e resolvi retratá-la no cinema não como um filme comercial, mas como algo que perturbasse”, disse Mendoza ao P de Pop em Cannes. “Cinema não é algo que precisa fazer o espectador se sentir bem. Cinema é algo para te fazer voltar para casa pensando”.