Romina Escobar, uma estrela que sobe

Romina Escobar, uma estrela que sobe

Rodrigo Fonseca

23 de setembro de 2020 | 10h17

A atriz trans Romina Escobar e o diretor Eduardo Crespo brilham em San Sebastián com “Nosotros Nunca Moriremos”, sobre uma mãe às voltas com o luto

RODRIGO FONSECA
Revelada em “Breve História do Planeta Verde”, produção laureada com o troféu Teddy na Berlinale de 2019, e badalada na TV na Argentina com “Pequena Victoria”, a atriz trans Romina Escobar dispara como favorita ao prêmio de melhor atuação no 68. Festival de San Sebastián por sua forma singular de esculpir a dor no drama “Nosotros Nunca Moriremos“, talvez o mais silencioso e intimista dos 13 indicados a Concha de Ouro de 2020. Vindo da América do Sul com uma fome de anteontem por inclusão, o longa tem como realizador o diretor de fotografia Eduardo Crespo (de “Tan Cerca Como Pueda”). Sua trama dá fortes goladas na tragédia grega (com muito de “Antígona”) mas também bebe de cair nas teses sociológicas de nuestro continente ao falar da luta de uma mãe para enterrar seu filho mais velho. Romina faz de sua personagem uma heroína que engole a dor em nome de suas obrigações maternas, mesmo sob o açoite do luto.

“Historicamente no cinema, ficam para nós, mulheres trans, os papéis de cabeleireira ou de prostituta ou de prostituta que é cabeleireira, com raras exceções. É bom ter chance de ampliar os horizontes e tentar trabalhar com o mínimo de gestos. Muitas mulheres já passaram pela situação de dor que eu interpreto aqui”, diz Romina ao P de Pop.

No longa, ela corre por um povoado desolado com seu filho caçula (Rodrigo Santana) a seu lado para entender o que se passou com seu primogênito, que pode ter morrido sob o efeito de excesso de remédios.
“Este filme é uma tentativa de abordar a dinâmica do sentimento de perda num povoado pequeno. A figura de Rodrigo é um meio de mostrar como uma criança descobre a dor”, diz Crespo. “É a poética do cotidiano o que me interessa”.

San Sebastián termina neste sábado com a cerimônia de entrega de prêmios, cujo júri, este ano, é presidido pelo diretor italiano Luca Guadagnino (de “Me Chame Pelo Seu Nome”). Despontam como favoritos, além de Romina, “Another Round”, de Thomas Vinterberg (da Dinamarca); “Supernova”, de Harry Macqueen (Reino Unido); e “Beginning”, da estreante diretora Dea Kulumbegashvili (da Geórgia). Nesta quinta, o evento dá um troféu honorário ao ator Viggo Mortensen, que estreia como diretor com “Falling”, sobre um homossexual às voltas com seu pai intolerante.

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