‘Return to Montauk’: a volta de Schlöndorff à ribalta

‘Return to Montauk’: a volta de Schlöndorff à ribalta

Rodrigo Fonseca

15 de fevereiro de 2017 | 14h25

Lenda do Cinema Novo Alemão, Volker Schlöndorff arrebata Berlim com 'love story' entre Nina Hoss e Stellan Skarsgård

Lenda do Cinema Novo Alemão, Volker Schlöndorff arrebata Berlim com ‘love story’ entre Nina Hoss e Stellan Skarsgård

RODRIGO FONSECA

Costuma ser exíguo o espaço para histórias de amor em festivais de cinema, sobretudo os mais politizados, como o de Berlim, mas não houve preconceito contra o lirismo dos enredos românticos que pudesse diluir a força de Return to Montauk na briga pelo Urso de Ouro de 2017. Esta love story em tempos de madureza sobre dois amantes do passado que se reencontram bateu forte no evento não apenas por trazer o melhor de todos os desempenhos masculinos vistos até agora na competição – mérito do sueco Stellan Skarsgård, em estado de graça na tela -, mas por marcar a volta de um mito do Cinema Novo Alemão à sua melhor forma: Volker Schlöndorff, ganhador da Palma de Ouro e do Oscar por O Tambor (1979). A ecos de sua vida pessoal na trama, centrada no reencontro entre dois germânicos em Nova York: Zorn é um romancista de respeito e Barbara (Nina Hoss, a estrela nº 1 da Alemanha na atualidade) é uma advogada classe A. Eles já se amaram muito, mas ficaram contas a acertar desse querer que Zorn espera cobrar em uma viagem aos EUA. Embora o título possa evocar o lugar para onde os personagens de Jim Carrey e Kate Winslet se dirigiam em Brilho Eterno de uma Mentes Sem Lembranças (2004), a narrativa de Zorn e Barbara é muito menos fantasiosa que a do longa de Michel Gondry. Em lugar de fantasia, Schlöndorff enxerga cicatrizes:

“Trabalhei muito tempo na América e isso mexei com meu olhar sobre muitas coisas, que falam alto agora em que já não tenho mais disposição para pensar num tipo de arte que mude o mundo”, disse Schlöndorff. “Cheguei aos Estados Unidos com a intelectualidade típica de um artista europeu, achando que tudo deveria carregar uma marca autoral, e lá, eu vi uma realidade muito distinta, mais industrial, na qual você cumpre metas e filma com base em um contrato, sob o controle de um produtor. Lá aprendi a intelectualizar menos. Aprendia a ‘apenas fazer’. E isso não torna a arte menos legítima. Voltar a Nova York agora com Return to Montauk me rememora essa experiência”.

Quinta é de dia de Joaquim, a porção Brasil da competição. Mas a presença do país no conjunto de mostras paralelas da Berlinale é ampla. Neste momento em que se comemoram os cem anos da animação nacional, um curta-metragem mineiro, de tintas LGBT, alcança sólido boca a boca pela cidade adentro, esgotando ingressos em todas as suas projeções: Vênus – Filó, a Fadinha Lésbica, de Sávio Leite, sobre um ser mágico que usa seus dedos para levar mulheres ao prazer. Ainda entre os brasileiros, a ficção de espinha juvenil As Duas Irenes, de Fábio Meira, apresentou aos germânicos a força do novo cinema de Goiás, com um enredo sobre duas garotas que descobrem compartilhar um segredo capaz de modificando seu cotidiano.

Ainda com The Other Side of Hope, do finlandês Aki Kaurismäki como favorito a levar o Urso, o Festival de Berlim termina neste sábado, com uma cerimônia de entrega de prêmios. Sexta o evento vai ser movimentado pela passagem de Hugh Jackman com Logan, a terceira aventura solo de Wolverine, e com a projeção da versão 3D de Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991) com – pelo que sugerem os boatos – a presença do T-800 em pessoa: Arnold Schwarzenegger. E ele vem ao lado de James Cameron, interessado em badalar o projeto de Avatar 2.

 

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