Rendez-vous Unifrance festeja ofensiva europeia

Rendez-vous Unifrance festeja ofensiva europeia

Rodrigo Fonseca

06 de janeiro de 2022 | 11h06

“Les Tuche 4”, de Olivier Baroux, é um dos fenômenos de bilheteria da França

RODRIGO FONSECA
Sem esmorecer diante das cifras mundiais de “Homem-Aranha: Sem Volta Pra Casa”, cujo atual faturamento global beira US$ 1,4 bilhão, o cinema francês reage, como pode, à concorrência, e abre o ano com quatro títulos de sua produção local entre no ranking dos dez filmes mais concorridos de seu país do dia 31 de janeiro até ontem. Entram nessa lista dos 10 Mais “Les Tuche 4”, de Olivier Baroux; “Le Test”, de Emmanuel Poulain-Arnaud; “Victoria e Mistério” (“Mystère”), de Denis Imbert; e o ótimo “La Panthère des Neiges”, de Marie Amiguet e Vincent Munier. Este sucesso na arrancada de 2022 há de ser festejado a partir de semana que vem, com os eventos do 24º Rendez-Vous Avec Le Cinéma Français, o fórum anual de promoção da indústria audiovisual feita em Paris, Lyon, Marselha, Nice, Toulouse, Dijon e seus arredores. O evento é organizado pela Unifrance, órgão do Ministério da Cultura da França que coordena a circulação internacional dos filmes feitos em sua pátria. Serão promovidas entrevistas com realizadoras/es; atrizes e atores; produtoras/es; e animadoras/es entre os dias 14 e 17 de janeiro. Ao lago dessas conversas, a Unifrance organiza um contato entre as produtoras de sua nação e empresas distribuidoras e exibidoras de todo o mundo, a fim de vender alguns de seus longas-metragens mais esperados para os próximos meses. Fala-se muito em “Feu”, de Claire Denis, que, possivelmente, será ser um dos concorrentes ao Urso de Ouro da 72ª Berlinale (10 a 20 de fevereiro), onde a atriz parisiense Isabelle Huppert vai recente um prêmio honorário. Fala-se ainda de uma possível entrada de “Adieu Monsieur Haffmann” – thriller de Fred Cavayé sobre a ocupação de Paris pelos nazistas, em 1942 – e do drama “Twist à Bamako”, de Robert Guédiguian, no Festival de Berlim. Os longas de Claire e Cavayé devem movimentar as negociações do Rendez-Vous.

“L’Événement” rendeu o Leão de Ouro pro cinema francês

Outras apostas quentes são: “Petite Solange”, de Axelle Roppert; “A L’Ombre Des Filles”, de Étienne Comar; (o extraordinário western queer) “After Blue (Paradis Sale)”, de Bertrand Mandico; “Suzanna Andler”, de Benoît Jacquot; “Petite Fleur”, de Santiago Mitre; “La Fracture”, de Catherine Corsini; e “L’amour c’est mieux que la vie”, uma deliciosa história de amor de Claude Lelouch. Todos esses longas comprovam o poder de renovação do cinema francês, que conquistou a Palma de Ouro (com “Titane”) e o Leão de Ouro (com “L’Événement”) entre julho e setembro.
Ao largo do Rendez-Vous, a Unifrance executa, paralelamente, uma mostra online chamada MyFrenchFilmFestival. A deste ano vai apresentar pérolas como “Calamity, une enfance de Martha Jane Cannary”, animação de Rémi Chayée “Charuto de Mel”, drama de Kamir Aïnouz . A celebração francófona

p.s.: Fuja a todo custo do pavoroso encadernado “Hit-Girl: Hollywood”, que se escora num roteiro cheio de cacoetes moralistas de seu autor, o cineasta Kevin Smith, e utiliza ilustrações infantilizadas desenhadas por Pernille Orum para retratar um universo de violência calcado nas HQs de “Kick-Ass” e suas derivações. Hit-Girl é uma personagem incrível, que merecia melhor tratamento gráfico.

p.s.2: Hilário, “Jabberwocky: Um Herói por Acaso” (1977), uma das incursões do grupo Monty Python nas telas, é a boa desta quinta na mostra “Terry Gilliam – O Onírico Anarquista”, com sessão às 19h, no CCBB-RJ. Na trama, Michael Palin é o aldeão Dennis, que precisa encarar uma criatura faminta por carne humana em meio às pragas da Idade Média. A direção de arte feita por Roy Forge Smith impressiona até hoje.

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