RECINE celebra os feitos de Fabiano Canosa

RECINE celebra os feitos de Fabiano Canosa

Rodrigo Fonseca

30 de setembro de 2021 | 11h27

Fabiano Canosa levou o cinema brasileiro pras telas do mundo, a partir do Public Theatre, em Nova York

RODRIGO FONSECA
Reunindo uma montanha de cartões para uma exposição tamanho GG de postais sobre o Rio de Janeiro, Fabiano Canosa é constantemente cobrado pelos cinéfilos brasileiros para escrever um livro de memórias sobre suas histórias hollywoodianas com os bastidores das telas. Pilar da chamada Geração Paissandu, que transformou uma sala exibidora no bairro Flamengo em um irradiador de ideias audiovisuais para todo o Brasil, esse pesquisador e radialista carioca levou o melhor do cinema brasileiro e hispano-americano para os EUA, nos anos 1970 e 80, exibindo longas no exterior e fomentando festivais. Programador do Public Theatre, em Nova York, ele exportou o que havia de mais autoral na nossa produção audiovisual para os americanos, realizando ainda retrospectivas de gênios europeus para os nova-iorquinos. Fã de “Rastros de Ódio” (1956), ele ainda não botou suas recordações em uma folha de papel, mas os cineastas cariocas Brunno Rodrigues e Cavi Borges resgataram seu passado por ele. Nesta quinta-feira, o curta-metragem “Viva Canosa!” vai abrir o RECINE, festival internacional de cinema de arquivo, no Estação NET Rio, em Botafogo, revisando os feitos de Fabiano. Chef de mão cheia na cozinha, sábio em geopolítica, Fabiano foi amigo pessoal dos diretores Bernardo Bertolucci (1941-2018) e Jonathan Demme (1944-2017), conviveu com Jack Lemmon (1925-2001) e acompanhou todo o sucesso internacional da carreira de Sonia Braga. O filme de Rodrigues e Cavi parte de uma série registros fotográficos para estruturar o périplo de Canosa para levar a brasilidade planeta afora. Ele é um dos principais pensadores da estética cinematográfica moderna, responsável pela presença de cults de Glauber Rocha (1939-1981) no circuito nova-iorquino.
No domingo, às 19h, o RECINE exibe o aclamado “Antena da Raça”, de Paloma Rocha e Luís Abramo, sobre as experiências televisivas de Glauber Rocha (1939-1981). No dia 8, também às 19h, rola o obrigatório “Dorival Caymmi – Um homem de afetos”, de Daniela Broitman. No dia 10, o evento presta um tributo a uma das promessas da novíssima geração: a realizadora Milena Manfredini, exibindo seus curtas, como “Camelôs” e “Eu Preciso Destas Palavras Escrita”.

Canosa e Jack Lemmon

p.s.: O que leva um atleta querido e campeão a decidir mudar o rumo de sua vida logo após uma partida histórica? Com direção de Isaac Bernat, o espetáculo “Pão e Circo”, que encerra temporada neste domingo (03/10), parte de um momento decisivo da carreira de um goleiro carioca para refletir sobre uma epidemia social silenciosa: o abandono paterno. Idealizada pelo ator e autor Pedro Monteiro, que assina a dramaturgia com Leonardo Bruno, a peça se inspira nos milhões de brasileiros que crescem sem o afeto do pai para criar, de maneira poética, uma história sobre paixão, sonhos, memória e a importância dos vínculos familiares. Ao adquirir o ingresso, o espectador tem acesso a uma gravação do espetáculo realizada em julho deste ano, com direção de vídeo de Cavi Borges, para assistir a qualquer dia e horário até o fim da temporada.

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