‘(Re)Born to be wild’: ‘Easy Rider’ na TV

‘(Re)Born to be wild’: ‘Easy Rider’ na TV

Rodrigo Fonseca

26 de abril de 2020 | 18h56

Rodrigo Fonseca
Poucos eram os atores, na Hollywood dos anos 1960, que sabiam falar de Salvador Dalí, de fotografia ou Picasso como Dennis Hopper (1936-2010) fazia: pelo menos era essa a doce lembrança que Peter Fonda (1940-2019) guardou do amigo, das filmagens de “Easy Rider”. Conhecido aqui como “Sem Destino”, lembrado pela canção “Born To Be Wild”, do Steppenwolf, o longa-metragem terá sessão na noite deste domingo de 40ena, no Telecine Cult, às 22h. Marco absoluto da contestação na contracultura da década de 1960, a produção festeja mais um aniversário, o de número 51, no dia 12 de maio: foi nessa data, em 1969, que ele fez sua primeira exibição mundial, no Festival de Cannes, saindo da Croisette premiado como melhor filme de um diretor estreante, no caso, o próprio Hopper. O astro e cineasta orgulhava-se do fato de a história de dois motoqueiros vendedores de drogas (ele viveu o hippie Billy e Fonda, o galante Capitão América Wyatt) ter faturado quase US$ 60 milhões, tendo custado US$ 300 mil – cifras módicas já para a época. Fora o sucesso, o longa concorreu aos Oscars de melhor roteiro original (assinado por Fonda, Hopper e pelo ás da pena Terry Southern) e melhor ator coadjuvante, dado ao jovem Jack Nicholson. “Depois que saí de Cannes premiado, acreditei que poderia voltar aos EUA e seguir filmando tramas que inovassem a forma e as convenções da América. Foi ingenuidade minha”, disse Hopper, em uma entrevista ao P de Pop em 2008. “Essa ingenuidade me custou o projeto de seguir dirigindo com a liberdade que eu desejava ter”.

Quem fotografou esse exercício libertário foi o húngaro László Kovács (1933–2007), que, em 1968, fez “Na Mira da Morte” (“Targets”), com Peter Bogdanovich. Bard Bryant (1927-2008) também fotografou algumas sequências do longa, produzido pelo cineasta Bob Rafelson, que era diretor da banda Monkees e que viria a dirigir Nicholson no brilhante “Cada um Vive Como Quer” (1971). Fonda, em 2012, bateu um papo com o Estadão, em Cannes, onde lembrou que Nicholson nunca tinha fumado maconha até cruzar com Hopper, que aplicou-lhe a erva em meio às filmagens. À época, era um sintagma de transgressão a substituição mítica que Hopper fazia ao trocar os caubóis em seus cavalos por motoqueiros cheios de cânhamo nas ideias. “Nicholson tragava, sem nenhuma experiência, acreditando não estar sentindo nada, mas seus olhos se avermelhavam e ele ficava cada vez mais doidão sem perceber”, contou Fonda. “Dennis, atrás dele, morria de rir com aquela imagem, mas estava lá, ao lado de Jack, para protege-lo. Ele sabia o que queria e sabia como nos levar com ele naquela jornada de descobertas”.

Na versão brasileira, André Filho dublou Fonda e Márcio Seixas, Hopper, cabendo a Darcy Pedrosa a tarefa de empresta a voz ao jovem Nicholson.

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