Quindim afetivo com a grife Bradley Cooper

Quindim afetivo com a grife Bradley Cooper

Rodrigo Fonseca

28 de junho de 2019 | 14h27

Rodrigo Fonseca
Vai ter Grande Prêmio do Cinema Brasileiro no dia 14 agosto, com projeção ao vivo pelo Canal Brasil, e a seleção de concorrentes ao troféu de melhor filme estrangeiro traz joias laureadas em grandes festivais como “The Square – A Arte da Discórdia” e “Infiltrado na Klan”. Mas ao lado deles vem uma love story de arrombar peitos com seu investimento no lúdico: “Nasce uma estrela”. O texto a seguir, sobre este drama romântico fincado na indústria da música, saiu no catálogo da mostra Melhores Filmes do Ano do CCBB:

Assim que a política dos autores imprimiu seu status de lei nas páginas de capa amarela da “Cahiers du Cinéma”, Orson Welles foi um dos primeiros atores a aderir ao clube. Ok… ele foi um mito da direção, mas foi ator por toda a vida. Jerry Lewis e Clint Eastwood foram assimilados também sob as asas de uma crítica que fazia da autoralidade um lastro ouro. De lá pra cá, muita atriz e ator ensaiou dirigir, de Carla Camurati a Jodie Foster, de Fanny Ardant a Maria Ribeiro. De Kevin Costner a Bradley Charles Cooper, que fez “o” “filme de ator” de 2018: orçado em US$ 36 milhões, seu “A star is born” já tem em seu caixa US$ 388 milhões em ingressos vendidos.

Consagrado como astro há dez anos, quando “Se beber, não case” (2009), Cooper dirige, com leveza, uma trama nos moldes de “Pigmaleão”.
Sua sorte foi lançada no Festival de Veneza, onde sua esperadíssima love story com acordes musicais virou um acontecimento. Lá no Lido, a desenvoltura dele como cineasta pôs muitos concorrentes ao Leão de Ouro no chinelo. No The New York Times, a resenha da crítica Manohla Dargis crava a palavra “belo” para definir o filme e frisa que “Bradley tem muitos acertos na direção, a começar pela escola do elenco, com uma atuação naturalista, desarmada de Lady gaga”. Ensaio sobre o fardo por vezes trágico da fama,  “Nasce uma estrela” não vem sendo vendido como remake. Temos aqui um drama romântico sobre um cantor autodestrutivo (o próprio Bradley, numa atuação memorável) que ajuda uma aspirante a cantora a explodir no mercado fonográfico. Mas essa é uma premissa levada às telas pela primeira vez em 1937. Janet Gaynor estrelou o original, que, de tanto sucesso, inspirou mais duas refilmagens: uma de 1954, com Judy Garland, e outra de 1976, com Barbra Streisand. E no novo longa, Lady Gaga está à altura delas.

Cantando ao lado de Lady Gaga, a plenos pulmões, Cooper investe ao máximo no realismo ao filmar os shows de seu personagem, Jackson Maine, e as apresentações da cantora vivida por Lady Gaga, Ally. A fotografia de Matthew Libatique potencializa a potência trágica da paixão entre os dois. O destaque vem do monstro sagrado Sam Elliott (da série “The ranch”), que rouba a cena, com sua voz gutural, no papel do irmão mais velho de Bradley.

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