Produção Brasil x EUA x Itália é aposta para o Oscar

Produção Brasil x EUA x Itália é aposta para o Oscar

Rodrigo Fonseca

18 de junho de 2017 | 11h14

De tintas LGBT, “Call Me By Your Name”, fenômeno popular no Festival de Berlim, é produzido pela RT Features, de SP

RODRIGO FONSECA
Tem Brasil e Sofia Coppola entre os destaques da lista hollywoodiana de oscarizáveis de 2018. Diante do zumzumzum crescente acerca da escolha (ainda não confirmada) de Sofia para presidir o júri do 74º Festival de Veneza (30 de agosto a 9 de setembro), o maior termômetro americano quando o assunto são previsões para o Oscar, o site Awards Daily, incluiu o novo (e magistral) longa-metragem da cineasta, O Estranho Que Nós Amamos, como uma das mais quentes apostas para o laurel da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood do ano que vem. Há cerca de 15 dias, ela ganhou o prêmio de melhor direção em Cannes pelo filme – que estreia nesta quinta-feira nos EUA – quebrando um jejum histórico e político: tornou-se a primeira mulher, desde 1961, a vencer nesta categoria no prestigiado evento. A aposta de DNA brasileiro envolve uma produção da RT Features, de Rodrigo Teixeira (de Tim Maia), desenvolvida em parceria com os EUA e a Itália, e dirigida pelo siciliano Luca Guadagnino: o drama LGBT Call Me By Your Name, visualmente estonteante e de uma potência trágica irrefreável. Foi a maior sensação de público do Festival de Berlim deste ano, com filas e mais filas na porta dos cinemas onde foi projetado na seção Panorama.

Nicole Kidman brilha em “O Estranho Que Nós Amamos”, de Sofia Coppola

Segundo o Awards Daily, o novo trabalho de Guadagnino (respeitado por Um Sonho de Amor) pode disputar o Oscar nas categorias: Melhor Filme, Diretor, Ator (o galã Armie Hammer, numa atuação soberba), Fotografia e Roteiro Adaptado, que carrega a grife de um mestre do romantismo: o cineasta James Ivory. Baseado em um romance de André Aciman, Call Me By Your Name narra uma história de amor gay, entre um adolescente e um visitante da casa de seus pais numa casa de colina em Cremona.

Armie Hammer ensaia com o diretor Luca Guadagnino em solo italiano

Pelos palpites do Awards Daily, que enxerga possíveis indicações para o blockbuster da vez, Mulher-Maravilha, inclusive uma chance de a israelense Gal Gadot (a Princesa Diana em pessoa) concorrer como melhor atriz, Sofia Coppola é presença obrigatória entre os concorrentes ao Oscar de direção. Com estreia no Brasil marcada para agosto, seu longa, ambientado na Guerra Civil dos Estados Unidos, pode oscarizar Nicole Kidman (perfeita no papel da reitora de uma escola para moças às voltas com um soldado ferido a quem deve acolher) e ainda render prêmios para seu fotógrafo e sua equipe de direção de arte.

Gary Oldman aparece transfigurado sob a maquiagem de Churchill em “Darkest Hour”: aposta para o Festival de Veneza

Aposta-se que Sam Elliott seja indicado como Melhor Ator – e deveria mesmo – pela sua comovente interpretação em The Hero. Mas tudo indica que o Oscar masculino irá para Gary Oldman (finalmente) por sua caracterização com sir Winston Churchill em Darkest Hour, de Joe Wright. Este deve fazer sua estreia em Veneza, na briga pelo Leão de Ouro. Um outro filme que o Awards Daily enxerga como um provável xodó da Academia é Mudbound, da diretora Dee Rees (de Pariah), sobre a luta contra o racismo no Mississippi do pós-guerra. Carey Mulligan e o ótimo Jonathan Baks (o Mike Ehrmantraut de Breaking Bad) estão no elenco. E, dentro do debate racial, o thriller Corra!, cult da hora, pode receber indicações ao prêmio de roteiro.

Salma Hayek em “Beatriz at Dinner”

Ainda na seara da exclusão, de cunho econômica, o drama de ácidas tiradas política Beatriz at Dinner, de Miguel Arteta, pode dar um Oscar de melhor atriz a Salma Hayek e um de melhor coadjuvante a(o sempre sublime) John Lightgow pela narrativa de um jantar regado a preconceito. E O Poderoso Chefinho surge, até agora, como o único possível competidor pela estatueta de longa de animação.