Primeiras apostas para Cannes 2020

Primeiras apostas para Cannes 2020

Rodrigo Fonseca

01 de fevereiro de 2020 | 11h08

“On the rocks” marca o regresso de Sofia Coppola

Rodrigo Fonseca
Mal saiu a lista da Berlinale (20 de fevereiro a 1º de março) e a Croisette já arrebata holofotes pra si, com especulações para suas futuras atividades. Depois da gloriosa edição de 2019, quando revelou o potencial ganhador de Oscars “Parasita”, Cannes já tem um time classe AA de cineastas autorais para sua próxima celebração da cinefilia, agendada de 12 a 23 de maio, tendo Spike Lee como presidente do júri. “Benedetta”, novo longa-metragem do holandês Paul Verhoeven, com Virginie Efira no papel de uma freira com dons paranormais e orientação sexual homoafetiva, já é dado como concorrente. Fala-se o mesmo de “On the rocks”, reencontro de Sofia Coppola com Bill Murray, numa história sobre acerto de contas entre pai (ele) e filha (Rashida Jones). Falando em Murray, ele participa ainda da dramédia “The French Dispatch”, em que Wes Anderson trava parceria com uma nova trupe: Cécile de France, Elisabeth Moss, Timothée Chalamet e Saoirse Ronan. Sua história sobre o universo do jornalismo na França é uma potencial atração para a briga pela Palma de Ouro. Ganhadora do Urso de Ouro de 2017 com “Corpo e alma”, a húngara Ildikó Enyedi regressará com “The story of my wife”, em que Louis Garrel é um marinheiro que faz uma aposta sobre seu futuro afetivo. Fala-se (muito) da entrada do japonês Hayao Miyazaki no certame, com seu desenho inédito: “How do you live”. Queridinho do balneário, onde conquistou a Palma em 2010, com seu “Tion Bonmee”, o tailandês Apichatpong Weerasethakul tem um trabalho novo saindo do forno: “Memória”, com Tilda Swinton, rodado na Colômbia. Deve ter DNA em campo no Palais des Festivals com “Petite Fleur”, coprodução francesa pilotada pelo argentino Santiago Mitre, vem arrebatando a curiosidade de quem passa pelo Rendez-vous da Unifrance. Nela, o diretor de “A Cordilheira” (2017) põe o uruguaio Daniel Hendler na pele de um fã de jazz que mantém um estranho ritual diário: todo dia ele mata seu vizinho… o mesmo… que renasce a cada manhã. E a África deve correr pro gol com “Lingui”, do chadiano Mahamat-Saleh Haroun. Deve ter Leos Carax na briga pelo troféi cannoise com “Annette”, musical com Marion Cotillard e Adam Driver. Também devemos ver o italiano Nanni Moretti em concurso com “Ter piani”, em que a rotina de um condomínio é devassada. E a lista de especulações dá ênfase ao retorno da atriz Emmanuelle Bercot à direção, com “De son vivant”, sobre o drama de um paciente com câncer (Benôit Magimel) ao longo de um ano cheio de conflitos com sua mãe (Catherine Deneuve). Quem sabe “Pedro”, de Laís Bodanzky, com Cauã Reymond no papel de D. Pedro I, não entra nesse bonde também?

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