Previsões para a Berlinale 2021

Previsões para a Berlinale 2021

Rodrigo Fonseca

09 de fevereiro de 2021 | 15h11

“Fever Dream”, da peruana Claudia Llosa

Rodrigo Fonseca
Tem uma vaga a mais para o Brasil na Berlinale 71, fora “Os Últimos Dias de Gilda” na Berlinale Series: vai ter uma instalação de Paula Gaitán, chamada “Se Hace Camino Al Andar”, na seção Fórum Expanded, e, pelo que estima, nesta quarta e nesta quinta vão ser anunciadas novas aquisições para o evento germânico. Este ano, o Festival de Berlim vai ser dividido em dois hemisférios. O primeiro vai ser de 1 a 5 de março, incluindo sessões de mercado para distribuidores, exibidores e canais de TV e streaming. A segunda vai ocorrer no verão europeu, de 9 a 20 de junho, com todas as competições correndo soltas. Estima-se que a abertura ficará a cargo de um documentário, “The Occupied City”, dirigido pelo inglês Steve McQueen (de “12 Anos de Escravidão”) a partir de uma pesquisa de sua mulher, a escritora Bianca Stigter, sobre a ocupação dos nazistas na Holanda. Mas é só um palpite. “A Viagem de Pedro”, de Laís Bodanzky, é a produção brasileira com mais chances de entrar em campo na Berlinale Palast. A aclamada realizadora de “Como Nossos Pais” (2017) retorna à direção numa trama protagonizada por Cauã Reymond, que se passa em uma viagem de barco, da volta do D. Pedro I para a Europa. Ele sai praticamente expulso do Brasil, durante uma grande crise política e pessoal. A viagem se passa nesse barco, mergulhando nesse universo interior dele. É, segundo disse a diretora, em setembro, ao site luso C7nema, “um filme de personagem, que fala muito mais do Pedro do que exatamente do D. Pedro I”. Há uma expectativa em torno do regresso à Alemanha da peruana Claudia Llosa, ganhadora do Urso dourado de 2009, com “A Teta Assustada”. Ela tem um filme novo, estrelado pela argentina Dolores Fonzi para exibir: chama-se “Fever Dream” e é uma história de fantasmas ligada à relação de uma criança com seus pais. Aposta-se na hipótese de que Pablo Larraín, do Chile, vá levar a telas berlinenses seu aguardado “Spencer”, com Kristen Stewart no papel da Princesa Diana. Cogita-se ainda um .doc inédito da americana Ava DuVernay para ser exibido por lá, mas não há certeza. Existe ainda uma torcida formada em torno da versão em longa metragem de “Police X Heroine: Lovepatrina!”, a série de Takashi Miike.

“Spencer”

p.s.: No dia 18, o diretor capixaba Gustavo Moraes, um dos professores mais respeitados de técnicas de produção do Brasil, vai ministrar um imperdível workshop chamado O Arco Dramático em Documentário. O papo com ele vai de 19h30 às 21h. Interessados devem se inscrever no link https://forms.gle/fzqGiUnHZzyj9tvF8.

p.s.2: A entrevista de Pedro Bial com Woody Allen, na segunda-feira, foi uma aula de Jornalismo do mais alto quilate, respeitando a importância histórica do realizador.

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