Potenciais apostas para a Berlinale 2021

Potenciais apostas para a Berlinale 2021

Rodrigo Fonseca

11 de janeiro de 2021 | 11h45

“The Story Of My Wife”, da húngara Ildikó Enyedi

RODRIGO FONSECA
Com a possibilidade de Cannes pular de maio para julho, por conta da pandemia da covid-19, as datas da Berlinale número 71, outrora estabelecidas de 11 a 21 de fevereiro, ficaram ainda mais incertas, uma vez que o site do evento alemão prevê realizar a disputa pelo Urso de Ouro de 2021 no verão germânico – ou seja, de 21 de junho a 22 de setembro. Com essa troca no calendário cinéfilo, aumentam as chances de produções que ainda estão em finalização. Estima-se que a abertura ficará a cargo de um documentário, “The Occupied City”, dirigido pelo inglês Steve McQueen (de “12 Anos de Escravidão”) a partir de uma pesquisa de sua mulher, a escritora Bianca Stigter, sobre a ocupação dos nazistas na Holanda. Conheça a seguir alguns títulos com fôlego para caçar os prêmios do Festival de Berlim:

“PRÉSIDENTS”, DE ANNE FONTAINE: Depois de ter encerrado a Berlinale de 2020 na mais alta graciosidade com “Police”, a atriz e realizadora de “Coco Antes de Channel” (2009) prepara uma comédia política na qual dois estadistas aposentados, vividos por Jean Dujardin e Grégory Gadebois, unem forças, apesar do ódio que nutrem um pelo outro, a fim de disputar a presidência da França.
“LINGUI”, DE MAHAMAT-SALEH HAROUN: O aclamado realizador chadiano volta às talas para narrar as angústias de uma mãe muçulmana às voltas com o desejo de sua filha adolescente, grávida, de fazer um aborto. Haroun ganhou fama mundial há dez anos, ao conquistar o Prêmio do Júri de Cannes com “O Homem Que Grita”. À época, 2010, ele era o único diretor de longas de ficção em atividade no Chade. Hoje, é um dos nomes mais aclamados do continente africano quando se pensa em cinema.

Cauã Reymond como Dom Pedro I em “A Viagem de Pedro”
Imagem fotografada por Fabio Braga/Biônica Filmes

“PETITE FLEUR”, DE SANTIAGO MITRE: No novo filme do realizador de “Paulina”, a sensação da Semana da Crítica de Cannes em 2015 Daniel Hendler vive um sujeito obcecado com a ideia de que seu vizinho é um inimigo, optando por assassiná-lo. O problema é que este renasce a cada dia, misteriosamente.
“A VIAGEM DE PEDRO”, DE LAÍS BODANZKY: A aclamada realizadora de “Como Nossos Pais” (2017) retorna à direção numa trama protagonizada por Cauã Reymond, que se passa em uma viagem de barco, da volta do D. Pedro I para a Europa. Ele sai praticamente expulso do Brasil, durante uma grande crise política e pessoal. A viagem se passa nesse barco, mergulhando nesse universo interior dele. É, segundo disse a diretora, em setembro, ao site C7nema, “um filme de personagem, que fala muito mais do Pedro do que exatamente do D. Pedro I”.
“UMAMI”, DE SLONY SOW: Um dos mais prolíficos curta-metragistas da França dirige Gérard Depardieu em uma jornada de redenção e de temperos gastronômicos. Na trama, o chef Gabriel Carvin (Depardieu) recebe finalmente a sua terceira estrela, como distinção para seus dotes plurais para o sabor. A conquista deveria ser um momento de celebração, mas Gabriel nunca foi feliz, e não sabe o porquê. Mas numa sessão de hipnose, ele se recorda de ter sido derrotado, em um torneio tipo masterchef no Japão, nos anos 1970, e resolver se livrar desse trauma revisitando iguarias nipônicas.

“Présidents”, com os atores Jean Dujardin e Grégory Gadebois

“MEMÓRIA”, DE APICHATPONG WEERASETHAKUL: Onze anos após a conquista da Palma de Ouro com seu metafísico “Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas” (2010), o maior poeta do cinema tailandês volta às telas com um elenco multinacional (Tilda Swinton, Jeanne Balibar, Daniel Giménez Cacho), numa trama sobre as camadas sensoriais da nossa relação com o mistério da existência. No enredo, Tilda é uma escocesa que, em viagem pela Colômbia, começa a perceber estranhos sons, que lhe convidam a novas percepções de sua realidade. Mas que sons são esses e como eles desafiam sua lucidez?
“IMPASSE”, DE ZHANG YIMOU: Em 2019, um dos filmes mais recentes do mestre chinês, “One Second”, foi retirado da competição do Urso de Ouro sem explicações e desapareceu. Existe a tese de que o governo chinês não ficou satisfeito com seu olhar crítico acerca das instituições políticas de seu país. Mas Yimou é prolífico e resolveu voltar ao planisfério audiovisual com este thriller de espionagem sobre agentes comunistas treinados pela URSS.
“COMPETENCIA OFICIAL”, DE MARIANO COHN E GASTÓN DUPRAT: O novo filme dos realizadores de “O Cidadão Ilustre” (2016) troca a Argentina natal de seus diretores pela Espanha. Lá, a dupla narra a trama de dois atores de estilos muito diferentes (Antonio Banderas e Oscar Martínez) que entram em conflito durante a preparação de um filme financiado por um milionário notoriamente ganancioso e realizado por uma diretora cheia das excentricidades, vivida por Penélope Cruz.
“THE STORY OF MY WIFE”, DE ILDIKÓ ENYEDI: Quatro anos depois de levar o Urso de Ouro pra Hungria, a diretora de “Corpo e Alma” (2017) deve regressar à Berlinale com uma love story dramática, orçada em 10 milhões de euros e cheia de metalinguagem, baseada na literatura de Milán Füst. Nela, Louis Garrel interpreta um capitão de navio que faz uma aposta: vai se casar com a primeira mulher que cruzar sua rota. Léa Seydoux, Gjis Naber e Jasmine Trinca integram o elenco.
“THE CARD COUNTER”, DE PAUL SCHRADER: Finalizado durante a pandemia, o esperadíssimo novo filme do realizador de “First Reformed – Fé Corrompida” (2017) traz Oscar Isaac como um jogador de cartas profissional que tenta controlar um novato (Ty Sheridan) às voltas com uma cruzada de vingança com um inimigo em comum. Willem Dafoe também integra este thriller encarado como um potencial cult.

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