‘Pixinguinha’, modo carinhoso de celebrar o 20/11

‘Pixinguinha’, modo carinhoso de celebrar o 20/11

Rodrigo Fonseca

20 de novembro de 2021 | 12h05

Seu Jorge tem uma arrebatadora atuação no papel do o maestro, compositor flautista e saxofonista Alfredo da Rocha Vianna Filho (1897-1973)

RODRIGO FONSECA
Quer uma boa dica cinéfila para celebrar este Dia da Consciência Negra? Que tal ir ao cinema conferir “Pixinguinha, Um Homem Carinhoso”, de Denise Saraceni? O desempenho de Seu Jorge (também em cartaz com “O” filme nacional do ano, “Marighella”) é memorável e vem amolecando corações. O cantor e ator comove plateias no papel de um ícone da música: o maestro, compositor flautista e saxofonista Alfredo da Rocha Vianna Filho (1897-1973). Seus feitos são revisitados com elegância nesta produção que marca a volta às telas de um bamba da produção: Carlos Moletta. Em 42 anos de cinema, ele emplacou 15 produções, a começar pelo cult “Muito Prazer” (1979), de David Neves (1938-1994), no qual também assina a trilha sonora. Produziu desde documentários de forte adesão popular, como “Flamengo Paixão” (1980), até adaptações de HQs como “Gatão de Meia Idade” (2006).
“Eu queria destacar o aprendizado mútuo que houve entre nós dois, Denise Saraceni e eu. De um lado, um produtor pequeno para esse projeto tão grande. Do outro, uma diretora muito experiente da TV Globo e em televisão, que é uma estrutura muito profissional, onde todo mundo é assalariado, com plano de saúde. Isso é determinante na construção das obras da televisão e no cinema não existe muito isso”, diz Moletta ao Estadão.
Recentemente, Seu Jorge conversou com o Estadão sobre o simbolismo que há por trás da revisão histórica de Pixinguinha e suas criações. “Ultimamente, por conta de tudo o que a pandemia mudou, tudo para mim é som. Estou sempre na música. Mas trabalho como ator há 20 anos e quando eu tenho a oportunidade de viver um músico no cinema, essa experiência é uma consagração total pra mim, como é o caso de Pixinguinha é um instrumentista virtuoso em todos os sentidos. Vinícius de Moraes dizia que ele era um anjo na Terra. Sempre fui encantado com as histórias sobre a generosidade dele. O momento que mais me emociona em sua trajetória é o episódio em que ele e seu conjunto, Os Oito Batutas, saem do Brasil para divulgar nossa música lá fora, no exterior”, disse o cantor.

Abalado pela covid-19, que esvaziou salas exibidoras, o circuito que acolhe “Pixinguinha, Um Homem Carinhoso” surpreendeu Moletta. “Estou retomando no circuito nacional e senti muita diferença de agora para as minhas experiências anteriores. Tenho 42 anos de produtor cinematográfico e, realmente, ocorreu um distanciamento da configuração da exibição de filmes brasileiros importantes”, diz o produtor. “Não temos apenas comédias comerciais ou filmes cults que vão para festival. A gente tem tido poucos filmes de peso cultural e comercial ao mesmo tempo. Acho que a gente mudou muito da configuração dos anos 2000 para cá. Houve uma mudança muito grande porque, antes, as distribuidoras estrangeiras participavam ativamente dos filmes. Estou sentindo muito distanciamento. A gente está seguindo e exibindo nossos filmes, mas eu fico com inveja da Coreia e da França. Não é à toa que a Coreia tem essa cinematografia, com “Parasita”. Os franceses também têm lei de produção forte, a Espanha também”.

p.s.: Um marco da aclamada carreira de Francis Ford Coppola, “O Fundo do Coração” (“One From The Heart”, 1982), obra-prima do cinema musical, ganha novos holofotes – agora os da streaminguesfera – ao integrar a grade da MUBI, a partir deste fim de semana. Basta acessar www.mubi.com para conferir essa joia. Eles lançaram ainda outro filmaço de Coppola: “Velha Juventude” (2007), com Tim Roth.

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