Pior filme de Cannes, ‘American Honey’ avança rumo ao Oscar

Pior filme de Cannes, ‘American Honey’ avança rumo ao Oscar

Rodrigo Fonseca

24 Novembro 2016 | 09h44

Sasha Lane é o único achado de

Sasha Lane é o único achado de “American Honey”, um filme sem farol

RODRIGO FONSECA

Soou como piada, no encerramento do 69º Festival de Cannes, a entrega do Prêmio do Júri ao pior filme da competição pela Palma de Ouro de 2016, vaiado ao fim de sua projeção: American Honey, que volta a arrancar gargalhadas ao ser anunciado como um dos favoritos ao Independent Spirit Awards (ISA). Dirigido por Andrea Arnold, este drama borracho on the road recebeu seis indicações, assim como o precioso Moonlight, de Barry Jenkins (um libelo sobre afirmação racial e sexual), encarado como sei maior concorrente. Láurea maior do cinema independente dos EUA, o ISA é encarado como um dos faróis na triagem de títulos mais autorais para o Oscar – nosso Aquarius está lá, na disputa de longa-metragem estrangeiro. É no mínimo espantoso que uma produção tão rasa, de 2h42m de puro tédio, com roteiro rocambolesco e vazio, com esboços de personagens e rascunhos de atuações, possa ter alcançado tamanho prestígio.

Apesar de ter apresentado a Cannes um dos rostos femininos mais bonitos – o da morena Sasha Lane – entre as belezas descobertas pelo evento, American Honey não escapou das vaias da critica depois de submeter a imprensa internacional a uma interminável narrativa repetitiva, que nem o carisma de Shia LaBeouf foi capaz de salvar. Sua trama (se é que existe) é centrada no processo de imersão de uma jovem, a bagaceira Star (Sasha), na dita “América profunda”, cruzando o Oeste dos EUA com uma trupe de adolescentes tão beberrões quanto ela.

Shia é Jake, espécie de mentor dessa trupe, cujo ar de galã vai atrair Star para uma jornada traduzida nas telas como um mar de excessos que a diretora – consagrada na Croisette duas vezes com o Prêmio do Juri (por Red Road, em 2006, e por Fish Tank, em 2009) – não consegue frear. Muitas situações se repetem nas andanças de Star pelos Estados Unidos, diluindo a força da narrativa, que abusa do emprego da câmera na mão, na captação das imagens, para imprimir maior realismo ao enredo. Como não há solidez na premissa, a jornada de Star soa fútil – como toda a obra de Andrea. No ISA, mais justo seria premiar Moonlight e o possante Manchester à Beira-Mar, sensação de Sundance, famoso pela atuação de Casey Affleck é um divisor de águas na carreira do ator.