Pilar da Primavera Romena será jurado em Cannes

Pilar da Primavera Romena será jurado em Cannes

Rodrigo Fonseca

21 Março 2017 | 10h42

Cristian Mungiu é um dos cineastas mais premiados pelo festival nos últimos dez anos

Cristian Mungiu é um dos cineastas mais premiados pelo festival nos últimos dez anos e volta à Croisette presidindo o time de jurados de curtas-metragens 

RODRIGO FONSECA
Um dos pilares da Primavera Romena, talvez o mais sólido movimento surgido na cena autoral do cinema europeu, o diretor Cristian Mungiu ganhou de Cannes uma honraria à altura de seu talento e de sua contribuição às narrativas do Real: o cineasta presidirá o Júri de Curtas-Metragens e o da Cinéfondation da 70ª edição do festival francês, que está agendada entre 17 e 28 de maio. Em 2007, ele saiu da Croisette com a Palma de Ouro por 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias. Cinco anos depois, com Além das Montanhas, papou mais um prêmio, o de melhor roteiro. E, em 2016, foi a vez de abocanhar o merecido troféu de melhor direção por Bacalaureat.

Em constante renovação, como comprovou a projeção do exuberante filme Ana, Mon Amour no último Festival de Berlim, em fevereiro, a Primavera Romena foi iniciada há 12 anos quando A Morte do Senhor Lazarescu (2005), Cristi Puiu, lançou uma nova modalidade de realismo social, típica da Romênia, na qual investigações quase sempre irônicas (muitas delas de ritmo tenso) sobre falências institucionais. O procedimento básico da Primavera supõe usar uma estética desdramatizada (poucas ações), em locações reais, filmadas com um olhar próximo do documentário, onde as tramas são sempre mote para que se aborde a decadência politica (e moral) daquela nação a partir dos escombros sociais deixados como herança pelo Comunismo. E isso sempre é arejado por um humor dos mais ácidos. Desse projeto estético nasceram filmes cultuados como o já celebrado 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias; California Dreamin’, de Cristian Nemescu; e O Tesouro (2015), de Corneliu Porumboiu, e Sieranevada, do já citado Puiu. A obra de Mungiu é mais um (grande) exemplar desse cinema que exuma cicatrizes nacionais para ficar para a posteridade no planisfério da imagem.

No dia 13 de abril, Cannes anuncia os concorrentes e suas atrações paralelas. O presidente do júri será o espanhol Pedro Almodóvar. Cogita-se que O Enganado (The Beguilded), um western erótico de Sofia Coppola com Nicole Kidman e Colin Farrell, venha a abrir a seleta de títulos da Croisette, em concurso. Estima-se que O Grande Circo Místico, de Carlos Diegues; As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra; Mormaço, de Marina Meliande; e Mar Verde, Terra Preta, de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira, possam representar o Brasil no festival. Da linha mais pipoca de Hollywood, Homem-Aranha: De Volta ao Lar e Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar podem adotar a Croisette como sede para suas premières. Este ano, o cineasta Kleber Mendonça Filho preside o júri da Semana da Crítica.