Pierre Cardin vira grife documental

Pierre Cardin vira grife documental

Rodrigo Fonseca

10 de janeiro de 2021 | 14h15

RODRIGO FONSECA
Sempre atenta ao melhor do cinema francês e às coproduções da França com outros países, a Imovision aproveitou (muito bem) o fim de semana pra promover o agilíssimo .doc “O Império de Pierre Cardin”, em sessões em salas como o Espaço Itaú do RJ, que se comoveram com as batalhas de Pietro Costante “Pierre” Cardin (1922-2020), morto em 29 de dezembro, pra levar um instinto de democratização ao mundo da moda. A direção é de P. David Ebersole & Todd Hughes e a produção de Cori Coppola, que inauguraram a carreira do longa-metragem no Festival de Veneza de 2019. De lá, ele fez carreira, online, no CinéMoi Cinefashion Film, onde foi laureado em múltiplas frentes, tendo sido premiado com uma menção honrosa no Calgary Underground Festival, no Canadá. Prima de segundo grau do mítico diretor americano Francis Ford Coppola (de “Apocalypse Now”), Cori, que viveu anos em Paris, ligada ao universo das passarelas, levantou um projeto documental que cartografa a evolução de Cardin no design de roupas, de óculos, de perfumes e de mais uma série de produtos. Editado por Brad Comfort e Mel Mel Sukekawa Amarração, o filme – “House of Cardin” no original – alterna uma série de materiais de arquivos (vídeo, foto, clipes) com depoimentos que ilustram a resiliência profissional do estilista e seu empenho para desenhar roupas que transgredissem a obviedade e a caretice do utilitarismo e da elegância de tom burguês. Sua transgressão estendeu-se também para a acessibilidade, criando vestidos e ternos que pudessem ser adquiridos por quem não é endinheirado. Reportagens de revistas, como a “Time”, e entrevistas para a TV revelam que Cardin foi o “marxista da moda”, em seu empenho de quebrar as diferenças de classe a partir do acesso a uma estética de vestir antes dedicada às aristocracias europeias. O longa ainda revista a paixão de Cardin pelo teatro e seu romance com a atriz Jeanne Moreau (1928-2017), pra quem desenhou os figurinos de “A Baía dos Anjos” (1963), de Jacques Demy (1931-1990). Na próxima quinat-feira, dia 14, a Imovision lança o longa oficialmente em circuito nacional.

p.s.: Nesta segunda-feira, às 22h30, a TV Brasil exibe o subestimado “Vazio Coração”, de Alberto Araújo. Este drama canoro mostra os desafios que o famoso cantor de música sertaneja Hugo Kari (Murilo Rosa) enfrenta para se reconciliar com o pai, o embaixador Mário Menezes (Othon Bastos). Com canções de tom confessional, interpretadas pelo próprio Rosa, o longa-metragem é um conto moral sobre inadequações afetivas em família.

p.s.2: Marco da espionagem no cinema dos anos 1990, o thriller “Inimigo do Estado” (“Enemy of the State”, 1998), de Tony Scott, vai ser exibido esta madrugada, à 0h50, na Globo, com Will Smith (dublado por Marco Ribeiro) no papel de um advogado acossado por um agente da CIA corrupto (Jon Voight) e ajudado por um araponga, um especialista em escutas, vivido por Gene Hackman.

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