‘Philomena’ visita a ‘Sessão da Tarde’

‘Philomena’ visita a ‘Sessão da Tarde’

Rodrigo Fonseca

05 de novembro de 2019 | 13h42

Rodrigo Fonseca
É dia de festa cinéfila na TV aberta: a “Sessão da Tarde” desta terça-feira, na TV Globo, vai receber Stephen Frears, com seu “Philomena”. Indicado a quatro Oscars, o longa-metragem, lançado em 2013, ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Veneza, de onde saiu ainda com o Queer Lion, a láurea LGBTQ+. A trama, que contou com a adaptação de Steven Coogan (o protagonista, ao lado de dame Judi Dench), volta múltiplas vezes à Irlanda, 1952. Lá, Philomena Lee é uma jovem que tem um filho recém-nascido. Com o bebê nos braços, ela é mandada para um convento. Sem poder cuidar da criança, ela dá o neném para adoção. A criança é adotada por um casal americano e some no mundo. Após sair do convento, Philomena começa uma busca pelo seu filho, junto com a ajuda de Martin Sixsmith, um jornalista de temperamento forte. Ao viajar para os Estados Unidos, eles descobrem informações incríveis sobre a vida do filho de Philomena e criam um intenso laço de afetividade entre os dois.
Distante das telonas há dois anos, desde o lançamento comercial do insosso “Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha”, Frears não para de fazer televisão, sobretudo após o sucesso de “A Very English Scandal”, feito para a BBC e exibido aqui na grade da Globoplay, com Hugh Grant no apogeu de seu talento. Ele agora trabalha em “Quiz”, uma minissérie em três episódios baseado em texto teatral homônimo de James Graham. O foco: um escândalo envolvendo a participação de um oficial britânico no programa de variedades “Who wants to be a millionaire?”. Mas há um projeto genial dele, lançado em maio, apenas na Sundance TV, que está se tornando um fenômeno na web: “State of the union”, uma série em dez episódios em forma de uma comédia (quase) romântica. Nela, o diretor de “A rainha” (2006) se debruça sobre uma história de marido e mulher que estão em vias de separação definitiva, revendo a love story deles de sua gênese até sua desagregação. O roteiro é do escritor Nick Hornby (de “Um grande garoto”) e cada tomo dessa trama idealizada por ele dura apenas dez minutos. Nela, a geriatra Louise (a sempre talentosa Rosamund Pike, de “7 dias em Entebbe”) se encontra com o quase ex, o crítico musical Tom (o brilhante Chris O’Dowd, de “O lar das crianças particulares”), em um pub, semana a semana, para que os dois frequentem uma terapia de casal. Frears vai dissecar o conflito deles em paralelo a debates políticos e sociais da Europa e do mundo, como o Brexit e a guerra da Síria. São reflexões entre os verbos “amar” e “viver” com o olhar crítico (distanciado) que o cineasta de 78 anos aplicou a filmes como “O amor não tem sexo” (1987) e “Minha adorável lavanderia” (1985). “Gosto de ambiguidades morais pois elas são constitutivas de nossa forma de lidar com a vida, em nossas escolhas, em nossas renúncias. Eu sou um cineasta cuidadoso com questões de espaço, com a relação do ambiente… do território… na maneira como as pessoas se portam. Se você volta a um filme como ‘Ligações perigosas’, por exemplo, tudo ali depende de termos uma corte. Mas não creio que isso seja o que chamam de ‘marca autoral’”, disse Frears em Sundance, ao lançar “State of the Union”, hoje perseguida por internautas em todos os cantos da web.
p.s.: Produções da RT Features, de SP, “O farol”, de Robert Eggers, e “A vida invisível”, de Karim Aïnouz, foram selecionados para o International Film Festival & Awards • Macao (IFFAM), na China, que vai de 5 a 10 de dezembro.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: