Peter Jackson entre os Beatles e King Kong

Peter Jackson entre os Beatles e King Kong

Rodrigo Fonseca

05 de julho de 2020 | 11h28

RODRIGO FONSECA
Corre um disse me disse sobre a possível escalação do .doc “The Beatles: Get Back” para abrir o 77º Festival de Veneza (2 a 12 de setembro), inundando o Lido com imagens inéditas, retiradas de 55 horas de arquivos de 1969 e 1970, das gravações do álbum “Let It Be”. Depois da consagração do realizador de “O Senhor dos Anéis” na seara documental, com a estreia de “Eles Não Envelhecerão” (2018), sobre a I Guerra Mundial, é altíssima a expectativa por sua imersão nas memórias dos Quatro Rapazes de Liverpool. Esta tarde, na TV aberta, é possível conferir o talento do cineasta na ficção, com a exibição de seu “King Kong” (2005) na Globo, às 15h30. Em paralelo à transmissão na televisão, o longa-metragem pode ser visto no Globoplay.

Laureado com três Oscars (de melhor mixagem, melhor edição de som e efeitos especiais) e coroado com uma bilheteria de US$ 550 milhões, “King Kong” (2005) é uma controversa revisão do clássico dirigido por Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack em 1933. Visto à luz do distanciamento histórico, o belo longa de Jackson ainda se apresenta como um um “Casablanca” zoófilo, num triângulo amoroso, com um Humphrey Bogart peludo, uma Ingrid Bergman indecisa e um Paul Henreid engajado. É mais “As viagens de Gulliver” do que “Jurassic Park”. É mais Jonathan Swift do que Cecil B. De Mille. Em sua trama, uma atriz desempregada e morta de fome, Ann Darrow (Naomi Watts), embarca na loucura de um cineasta (Jack Black) que aposta na estética do bestiário para faturar os US$s dos estúdios. Ao saber de uma ilha nos confins do mundo onde vivem seres pantagruélicos, ele arrasta Ann e uma trupe de técnicos para um território que o mundo esqueceu, onde existe um macaco gigantesco, encarado por todos – menos pelos dinossauros que lá residem – como o rei do local. A fera há de se apaixonar pela bela, mas, afim de de tê-la em seu aconchego, ela vai ter de sair no braço com uma série de lagartos famintos e encarar os percalços morais da predatória civilização. Na versão brasileira, Priscila Amorim dubla Naomi.

Estima-se que “The Beatles: Get Back” seja projetado também em San Sebastián, na Espanha, cuja maratona deste ano será aberto, no dia 18 de setembro, com “Rifkin’s Festival, de Woody Allen. Na briga pela Concha de Ouro de 2020 estarão: a japonesa Naomi Kawase (“True Mothers”), a georgiana Dea Kulumbegashvili (“Beginning”), o lituano Sharuna Bartas (, o francês François Ozon (“Eté 85”), o dinamarquês Thomas Vinterberg (“Another Round”) e Takuma Sato, também do Japão, que vem com “Any Crybabies Around?”. O evento espanhol vai ainda conceder um prêmio honorário a Viggo Mortensen, a quem Jackson escolheu como o detentor do papel de Aragorn. Ele vai exibir lá seu primeiro trabalho como realizador: “Falling”.

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