‘Pelican Blood’: boa do dia no Festival do Rio

‘Pelican Blood’: boa do dia no Festival do Rio

Rodrigo Fonseca

09 de dezembro de 2019 | 10h01

Rodrigo Fonseca
Filme de abertura da mostra Orizzonti, de Veneza, com uma espinha dorsal de mistério, “Pelican Blood” (“Pelikanblut”) é uma das atrações imperdíveis deste primeiro dia de Festival do Rio 2019, com direção da cineasta alemã Katrin Gebbe. A sessão acontece às 18h30, no Estação NET Rio 4. Nina Hoss tem (mais) uma atuação avassaladora sob a direção da realizadora de “Nada de mau pode acontecer” (2013). Ela interpreta a treinadora de cavalos Wiebke, que vive com uma filha de 9 anos em uma fazenda idílica. Após longa espera, ela adota uma menina, a fim de ampliar sua família. Mas a garota recém-chegada, de 5 anos, tem um comportamento estranho, que abre as comportas do risco para aquele mundinho de afetos.
“O pesadelo que a maternidade pode representar para algumas mulheres, diante das novas exigências, das novas responsabilidades, mesmo com toda a beleza inerente ao processo de ser mãe, levou à construção desta história, com ecos de cinema de gênero, sobre fronteiras afetivas que precisam ser transpostas”, explicou Katrin ao P de Pop, em Veneza.

Em sua estética seca, a fotografia evita saturação de cores, mas aposta numa angulação que ressalta a imensidão especial onde a protagonista é engolida pela Natureza. Katrin ganhou o prêmio de melhor direção no Festival de Austin pela produção. Tem mais uma sessão neste domingo, às 15h, no Estação Net Rio.
Ainda nesta terça-feira, o Festival exibe o feérico “Skin”, de Guy Nattiv, com sessão às 18h45, no Kinoplex São Luiz. Jamie Bell tem uma atuação desconjuntante no papel de um supremacista branco, tatuado dos pés à cabeça, que, ao se apaixonar por uma mãe solteira (a excepcional Danielle Macdonald), decide largar a célula neonazista onde cresceu e virar um sujeito avesso a intolerâncias raciais. Sua montagem é avessa a clichês. Outra boa do dia é “System Crasher”, de Nora Fingscheidt, que ganhou o Troféu Alfred Bauer (de inovação de linguagem e narrativa) na Berlinale, em fevereiro. Nele, Nora fala de uma menina hiperativa que faz toda a sorte de brutalidades contra as pessoas que tentam adotá-la ou cuidar dela, na ausência de sua mãe. Projeção às 16h15 no Estação Net Ipanema.

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