Pedro Costa e o adeus a um belo Festival do Rio

Pedro Costa e o adeus a um belo Festival do Rio

Rodrigo Fonseca

19 de dezembro de 2019 | 13h10

Pedro Costa na maratona cinéfila carioca @Davi Campana assina as fotos

RODRIGO FONSECA
Existem edições do Festival do Rio que foram lendárias, pela força de sua Première Brasil, com destaque para as de 2005 (venceu “Cidade Baixa”), 2012 (ano de “O Som ao Redor”) e 2017 (vitória foi de “As Boas Maneiras”). Porém, o menu de 2019 periga ser o mais marcante, simbolicamente, não apenas pela luta que o evento empreendeu para sair do papel com força estética e elegância (quesitos que esbanjou), como pela vinda de um artesão da imagem ao país: o português Pedro Costa. Ele veio carregando seu “Vitalina Varela”, o Leopardo de Ouro de Locarno, marcado pela cruzada de uma cabo-verdiana para encontrar harmonia em sua alma e em seu caminho, em Portugal, nas Fontainhas, após a morte de seu marido. A exibição do longa-metragem, no Estação Net Botafogo, na segunda, teve algo de etéreo, com poltronas abarrotadas para uma missa estética de reflexão sobre a resiliência dos imigrantes d’África no Velho Mundo. Costa esteve ainda numa projeção de “No Quarto de Vanda” (2000), no Instituto Moreira Salles (IMS), seguida de debate.
“A urgência é má conselheira. Filmo como uma equipe muito reduzida, com quatro pessoas por trás das câmeras, para que meu elenco de não atores tenhas as melhores condições de criar. Não se deve ser urgente, no cinema, nem no documentário, formato que aspira a ter um contato mais terra a terra com a realidade”, disse o diretor ao P de Pop. “Não nos apressamos para não perder nada do processo de descobertas”.
Em Locarno, em agosto, “Vitalina Varela” rendeu ainda o prêmio de melhor interpretação feminina para sua protagonista. Dona Vitalina leva para as telas suas experiências com o luto e a ressaca diante do sexismo. O longa estreia no Brasil em março, pela Zeta Filmes.

CONFIRA, NA LISTA A SEGUIR, AS DEZ MELHORES DESCOBERTAS DESTE FESTIVAL:
1.“O Caso Richard Jewell”, de Clint Eastwood
2.“M8 – Quando a Morte Socorre a Vida”, de Jeferson De
3.“Alelí”, de Letícia Jorge Romero
4.“Luta por Justiça”, de Destin Daniel Cretton
5.“Anna”, de Heitor Dhalia
6.“O Último Amor de Casanova”, de Benoît Jacquot
7.“Fim de Festa”, de Hilton Lacerda
8.“Doce Entadecer na Toscana”, de Jacek Borcuch
9.“Depois a Louca Sou Eu”, de Julia Rezende
10.“Um Lindo Dia Na Vizinhança”, de Marielle Heller
O pior:
“JoJo Rabbit”, de Taika Waititi

p.s.: É delicioso matar as saudades de Billy Dee Williams e seu Lando Calrissian em “Star Wars: Episódio XIX – A Ascenção Skywalker”, que, a despeito do azedume generalizado de uma crítica avessa à estética pop de J. J. Abrams, traz sequências de ação eletrizantes e momentos de melodrama da mais alta voltagem folhetinesca. Fora o carisma de Billy, o longa nos brinca com uma nova heroína, a guerreira Jannah, vivida por Naomi Ackie. Ela é uma promessa de novas franquias.

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