Peça memorável, ‘A Tropa’ deixará saudade nos palcos

Peça memorável, ‘A Tropa’ deixará saudade nos palcos

Rodrigo Fonseca

25 Maio 2017 | 21h31

No leito da excelência, Otávio Augusto comanda um ritual de exorcismo de mágoas e cicatrizes em “A Tropa”, no Teatro Sesi

RODRIGO FONSECA
Isto aqui não tem nada a ver com Cannes não… nem com cinema… quer dizer mais ou menos, pois tem um tesouro do nosso cinema – Otávio Augusto – em cena. E quem estiver a fim de uma boa ideia para um filme… essa é a aposta: a peça A Tropa, que sai de cartaz neste sábado, no Rio de Janeiro. Programão teatral: lição de arte e de vida. Perde não.

Poucas atuações no teatro brasileiro de encenações mais recentes têm voltagem mais alta do que a Otávio Augusto em A Tropa, um espetáculo devastador, esnobado em premiações e em debates críticos em sua montagem inicial, em 2016, no CCBB. Ela termina agora sua segunda gestão nos palcos cariocas, de casa nova, com fôlego para mostrar toda a potência de seu astro e de seu texto. Dirigida por César Augusto a partir do inventário de cicatrizes (muito bem) escrito por Gustavo Pinheiro, a peça finaliza sua atual temporada no Teatro Sesi neste dia 27, às 19h. Na trama, Otávio dá vida a um militar reformado, viúvo e pai de quatro filhos, que passa em revista sua vida de intolerâncias num confronto entre o riso e a tragédia com seus “meninos. Ele está em um leito de hospital, às portas da Morte, o que justifica a visita de suas crias. O embate familiar evidencia a trajetória de cada cria: Alexandre Menezes vive Humberto, um dentista militar aposentado que mora com o pai; Daniel Marano é João Batista, o caçula, jovem usuário de drogas com passagens por clínicas de reabilitação; Eduardo Fernandes, em atuação excepcional, interpreta Artur, um empresário casado, pai de duas filhas, que trabalha numa empreiteira que está sob investigação por corrupção; e Ernesto, papel dado a Rafael Morpanini,é um jornalista que acaba de pedir demissão de um jornal e está em crise com a profissão. Numa lavação de roupa imunda de rejeição e rancor, Otávio bufa e bafeja como um rinoceronte em fuga, tentando escapar do corredor polonês de interrogação e cobrança de seus rebentos, que passam do pedido de bênção ao ressentimento, com uma virada de espatifar peitos.

 

 

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